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Lider Supremo iraniano morto: o que está em jogo?

Foto: KHAMENEI.IR / AFP

Por | Moisés Cambuy

O aiatolá Ali Khamenei foi — até os acontecimentos mais recentes que mudaram dramaticamente o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio — o líder supremo da República Islâmica do Irã, uma figura que acumulou poder religioso, político e militar que poucos, se é que algum outro líder na história moderna, sequer sonharia em concentrar. Na prática, ele transformou a constituição teocrática iraniana numa monarquia clerical de fato, onde qualquer sopro de dissidência interna era sufocado com violência, e qualquer estratégia externa que ele visse como “anti-ocidental” ou “anti-sionista” era levada adiante com a obstinação de um capitão que insiste em bater a nau contra um iceberg.

Internamente, Khamenei deixou um legado que beira o grotesco: uma economia estagnada sob pesadas sanções, uma população farta de escassez e miséria e protestos repetidos ano após ano que foram respondidos com brutalidade e chacinas. Não foram apenas “desentendimentos políticos” — foram cenas de repressão em que forças de segurança dispararam contra civis nas ruas, com milhares de mortos e desaparecidos, apenas porque a coragem de exigir liberdade e dignidade ousou cruzar os muros dos bazares e universidades iranianas.

No plano externo, Khamenei foi mestre em cultivar inimigos como se fossem troféus. Patrocinou milícias, financiou grupos armados como Hezbollah e Hamas e tratou qualquer proposta de coexistência com os Estados Unidos e seus aliados como uma heresia imperdoável. Essa política inflamada não só manteve o Irã sob pressão econômica e diplomática internacional por décadas, como também alimentou conflitos por procuração e tensões permanentes nas fronteiras do país. Não é surpresa alguma que, após anos de provocações e confrontos, a animosidade tenha culminado em ataques militares que miraram diretamente sua liderança; a própria mídia internacional relata que ele foi morto em ofensivas conjuntas dos EUA e Israel, um final drástico para alguém cuja carreira inteira foi gastar o mundo ao redor para preservar seu poder.

E agora? Esse colosso de teocracia e repressão caiu — ou pelo menos foi sacudido fortemente — e o vácuo de poder pode desencadear tanto oportunidades quanto catástrofes. Enquanto alguns olham para uma possível mudança de rumo ou aberto questionamento do regime, outros veem apenas o prelúdio de um ciclo ainda mais violento de retaliação, instabilidade regional e realinhamento de alianças. Uma lição amarga: quando se governa com punho de ferro e visão do mundo de quinta-dimensão conspiratória, a fatura costuma chegar — e muitas vezes cobrada não apenas de quem mandou, mas de quem foi mandado.

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