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ACM Neto fala grosso em vídeo e fino no silêncio dos aliados

Opinião | Moisés Cambuy

Há poucos meses, ACM Neto apareceu em vídeo dizendo que era favorável ao fim da escala 6×1, classificando o modelo como pesado para o trabalhador brasileiro. Agora, quando deputados aliados seus assinam uma emenda para empurrar essa mudança para daqui a dez anos, o ex-prefeito de Salvador desaparece do debate. Silêncio absoluto. Nem uma nota, nem uma crítica, nem um constrangimento público. Para quem posa de moderno e tenta vender imagem de líder equilibrado, a omissão começa a soar como conveniência política.

Entre os deputados baianos que assinaram a emenda que pode adiar o fim da escala 6×1 até 2036 estão Paulo Azi, Arthur Oliveira Maia e José Rocha, todos do União Brasil, partido de ACM Neto, além de outros parlamentares da base conservadora baiana. O detalhe é que Paulo Azi não é um deputado qualquer: é um dos principais aliados de ACM Neto em Brasília e chegou a ser escolhido relator da PEC que discute justamente o fim da escala 6×1. Ou seja, não dá para fingir surpresa ou tratar tudo como coincidência de corredor.

O problema não é apenas a contradição. É o velho teatro da política brasileira: no vídeo para rede social, discurso sensível ao trabalhador; nos bastidores do Congresso, articulação para frear a mudança e agradar setores empresariais. ACM Neto parece querer ocupar os dois lados ao mesmo tempo — posa de defensor do trabalhador quando a câmera liga e some quando seus aliados ajudam a colocar o tema no congelador por mais uma década. A conta não fecha. E o eleitor percebe.

Para quem quer ser governador da Bahia, ACM Neto deve, no mínimo, uma explicação ao povo baiano. Se é contra a escala 6×1, por que silencia diante de aliados que trabalham para adiar o fim dela até 2036? Se concorda com a emenda, deveria assumir isso publicamente. O que não dá é para seguir no conforto da ambiguidade: discurso progressista no Instagram e silêncio estratégico quando a decisão real acontece em Brasília.

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