A nova pesquisa do instituto IPSENSUS sobre a disputa pelo Governo da Bahia talvez tenha causado mais espanto do que os próprios números. Depois de meses em que levantamentos colocavam ACM Neto com vantagem confortável, às vezes quase em clima de “W.O. eleitoral”, apareceu um cenário bem mais apertado: Jerônimo Rodrigues surge com 42,2% contra 40,6% do ex-prefeito. E aí vem a pergunta inevitável: mudou tudo de repente ou algumas pesquisas anteriores estavam mais interessadas em criar narrativa do que em medir humor popular?
A verdade é que, gostem ou não do governo, a política baiana nunca foi esse passeio folclórico que certos institutos tentaram vender. Basta olhar a sequência recente de levantamentos: Paraná Pesquisas apontava ACM Neto com quase 48%, enquanto outros institutos davam diferenças ainda maiores. Agora, curiosamente, a realidade começa a ficar menos cinematográfica e mais próxima do que muita gente sente nas ruas: desgaste existe, críticas também, mas o governo continua competitivo — especialmente em um estado onde Lula mantém força e influencia diretamente o cenário local.
Claro que isso não significa que Jerônimo virou fenômeno de popularidade. A Bahia segue convivendo com problemas graves na segurança, pressão social e uma sensação permanente de lentidão administrativa. O próprio governo carrega índices altos de rejeição em outras pesquisas. Mas talvez o ponto mais curioso seja perceber como parte do debate político parece viver numa bolha de rede social, onde basta meia dúzia de vídeos indignados e alguns cortes de podcast para decretar vitória antecipada. A urna, infelizmente para os emocionados, ainda não funciona por algoritmo.
No fim, a pesquisa IPSENSUS chama atenção menos pelo favoritismo numérico de Jerônimo e mais porque ela desmonta a ideia de eleição resolvida. Pela primeira vez em muito tempo, surge um retrato que parece conversar minimamente com a complexidade política da Bahia real — e não daquela Bahia imaginária construída em gabinete, grupo de WhatsApp e manchete apressada. Pelo menos agora a fotografia ficou menos “Photoshop eleitoral” e um pouco mais parecida com o estado que existe fora da internet.
(Moisés Cambuy)







