Foto ilustrativa
Por | Moisés Cambuy
Em meio a tantos escândalos, Flávio Bolsonaro diz que vem à Bahia “estreitar relações” com ACM Neto. Logo ele, personagem frequente das páginas policiais e dos escândalos que marcaram os últimos anos da política brasileira. Fica a dúvida: estreitar o quê exatamente? A amizade? O constrangimento? Ou a distância entre ACM Neto e a rejeição crescente de parte do eleitorado baiano?
Porque, convenhamos, depois de tudo o que envolve o sobrenome Bolsonaro — rachadinhas, investigações, suspeitas e desgaste nacional — posar ao lado de Flávio não parece exatamente um curso intensivo de popularidade. Na Bahia, onde o bolsonarismo nunca teve vida tão confortável assim, a aproximação soa menos como estratégia política e mais como teste de resistência eleitoral. É quase como entrar em um barco furado e anunciar com orgulho: “agora vamos remar juntos”.
ACM Neto talvez terá de decidir se quer disputar eleição ou concurso de fidelidade bolsonarista. Não dá para manter um pé no discurso moderado e outro abraçado em Flávio Bolsonaro esperando que o eleitor baiano ache tudo normal. A conta chega. E chega principalmente para quem tenta agradar dois públicos completamente opostos ao mesmo tempo. Uma hora o discurso de “centro” encontra a foto do aperto de mão — e aí não existe marqueteiro que faça milagre.
No fim, a pergunta continua ecoando entre os baianos: estreitar relação entre Flávio Bolsonaro e Neto para quê? Para somar desgaste? Para importar crise? Porque, politicamente, a escolha parece simples: ou ACM Neto estreita de vez a relação com Flávio Bolsonaro, ou começa a se afastar do eleitor baiano. Os dois caminhos ao mesmo tempo já não cabem no mesmo palanque.







