Durante o lançamento do movimento “Sua Voz é a Nossa Voz”, o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, afirmou que não faz “demagogia para dizer que gosta de pobre”. A declaração repercutiu imediatamente em toda a Bahia, gerando críticas até entre antigos aliados e eleitores que viram na fala um tom de distanciamento em relação às dificuldades enfrentadas pela população mais vulnerável. O episódio acabou ofuscando o próprio objetivo do evento político criado para aproximar o pré-candidato do eleitorado baiano.
A reação popular nas redes sociais e nos meios políticos mostrou que, em tempos de forte desigualdade social, palavras importam — e muito. Não se trata apenas de semântica, mas da mensagem transmitida por quem deseja governar um estado que convive diariamente com pobreza, desemprego e insegurança alimentar. Ao tentar se apresentar como um político “sem demagogia”, ACM Neto acabou alimentando a percepção de que fala mais para setores privilegiados do que para a maioria da população baiana, justamente aquela que mais espera sensibilidade social de seus líderes.
Depois da repercussão negativa, o ex-prefeito recorreu às redes sociais para tentar amenizar o desgaste, sugerindo que “não era bem assim” o que quis dizer. O problema, porém, é que a tentativa de esclarecimento veio apenas após o impacto político da declaração ganhar dimensão estadual. Na prática, o recuo soou menos como explicação espontânea e mais como contenção de danos. Em política, muitas vezes o que pesa não é apenas a intenção do discurso, mas a forma como ele é percebido pela sociedade.
O episódio revela uma contradição difícil de ignorar. ACM Neto frequentemente tenta associar sua imagem à defesa das camadas populares e já discursou sobre inclusão social em diferentes momentos de sua trajetória política. Entretanto, declarações como a feita no encontro “Sua Voz é a Nossa Voz” acabam enfraquecendo esse discurso e levantando dúvidas sobre sua conexão real com os problemas do povo baiano. Afinal, quem deseja governar a Bahia precisa entender que empatia não pode parecer estratégia de marketing — precisa ser convicção.







