Home / Política / O candidato do “Tanto Faz”

O candidato do “Tanto Faz”

EDITORIAL

Opinião: Moisés Cambuy

Um dos grandes diferenciais entre os seres humanos e os animais sempre foi a capacidade de raciocinar, refletir e, principalmente, aprender com os próprios erros. A evolução humana não aconteceu apenas pela força física, mas pela inteligência de corrigir rotas, rever atitudes e entender os sinais ao redor. Mas o caso do pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, talvez precise entrar para algum estudo acadêmico mais profundo. Quem sabe algum psicanalista não se interesse em transformar esse fenômeno político numa tese de doutorado: “A impressionante incapacidade de aprender com os próprios tropeços”.

Depois da derrota, qualquer político minimamente estratégico faria uma autocrítica séria. Tentaria reconstruir pontes, ouvir aliados, entender o povo e abandonar a arrogância que o afastou da realidade. Mas ACM Neto parece viver preso numa espécie de looping político, repetindo os mesmos erros com a tranquilidade de quem acredita que carisma se fabrica em laboratório e liderança se impõe no grito. O velho discurso do “tanto faz” voltou com força, como se apoio político fosse descartável e prefeitos fossem peças sem importância num tabuleiro pessoal de vaidades.

Enquanto isso, Jerônimo Rodrigues segue ocupando espaços com presença popular, diálogo e contato direto com a população. E aí surge outro problema: ACM Neto tenta copiar o modelo do adversário, como quem vê uma fórmula funcionando e acredita que basta imitar os movimentos. Mas política não é coreografia ensaiada. Não adianta tentar reproduzir agenda popular sem povo, sem empatia e sem conexão verdadeira com as pessoas. É como tentar vender abraço mantendo distância, ou querer parecer simples carregando a soberba estampada no rosto.

No fim, o que mais chama atenção não é nem a estratégia equivocada, mas a insistência quase teimosa em permanecer desconectado da realidade. A Bahia mudou, o eleitor mudou, a política mudou. Só ACM Neto parece não ter recebido o aviso. Continua apostando na prepotência, tratando apoios como irrelevantes e acreditando que marketing substitui sentimento popular. Talvez ainda exista tempo para entender o recado das urnas. Mas, pelo histórico, é mais provável que ele continue fazendo exatamente o que o levou à derrota — e esperando, de maneira quase mágica, um resultado diferente.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *