Por | Moisés Cambuy
Há momentos na política em que o silêncio fala mais alto do que qualquer discurso. A reação do prefeito de Salvador, Bruno Reis, diante da mais recente pesquisa Genial/Quaest, que aponta o presidente Lula na liderança das intenções de voto para 2026, parece se encaixar perfeitamente nessa máxima. Questionado sobre os números, limitou-se a dizer que não havia visto a pesquisa. Uma resposta breve, mas carregada de significado.
O episódio chama atenção porque, durante muito tempo, pesquisas e índices de aprovação foram instrumentos recorrentes no arsenal retórico do prefeito e de seu grupo político. Sempre que os levantamentos indicavam desgaste do governo federal, os números eram apresentados como prova incontestável de uma suposta rejeição popular. Agora, diante de um cenário que não favorece a narrativa oposicionista, a pesquisa parece ter perdido relevância.
A política, evidentemente, não pode ser guiada exclusivamente por levantamentos de opinião. Pesquisas registram retratos de momento, não sentenças definitivas. No entanto, a coerência exige que quem utiliza esses dados para criticar adversários também esteja disposto a debatê-los quando os resultados apontam em direção contrária. Ignorá-los apenas quando são desfavoráveis transmite a impressão de conveniência, e não de convicção.
O caso expõe uma velha contradição da vida pública brasileira: números são exaltados quando confirmam discursos e descartados quando os desafiam. Se as pesquisas servem para medir o humor da população, elas não deveriam ser seletivamente valorizadas. Afinal, a credibilidade de um líder político também se mede pela disposição de encarar os dados, inclusive quando eles não lhe agradam.







