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A revolução dos leitos na Bahia: como o estado enfrentou o apagão da saúde e reduziu a ambulancioterapia

A saúde pública da Bahia passou, nos últimos anos, por uma transformação estrutural que mudou a lógica do atendimento em todo o estado. Com continuidade entre as gestões de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, a Bahia ampliou a rede própria, interiorizou serviços de alta complexidade e reduziu a antiga dependência da ambulancioterapia, quando pacientes precisavam viajar centenas de quilômetros em busca de atendimento em Salvador.

Até 2006, o acesso a UTI, cirurgia de maior complexidade e assistência especializada dependia, em grande parte, do endereço do paciente. Macrorregiões inteiras tinham baixa oferta de leitos públicos, e a maior parte das UTIs estava concentrada na Região Metropolitana de Salvador. O resultado era conhecido pelas famílias baianas: deslocamentos longos, ambulâncias nas estradas e hospitais da capital sobrecarregados.

Esse cenário começou a mudar a partir de 2007, com a construção de uma rede estadual mais descentralizada. No governo Jaques Wagner, foram implantados os primeiros grandes equipamentos regionais, com destaque para o Hospital do Subúrbio, em Salvador, e hospitais em Santo Antônio de Jesus, Irecê, Juazeiro e Feira de Santana. Ao todo, a gestão entregou 1.043 leitos estruturais e abriu caminho para uma nova organização da assistência.

Na sequência, Rui Costa acelerou a expansão hospitalar e consolidou a interiorização da saúde. Foram 1.865 leitos entregues em 19 grandes estruturas, entre elas o HGE 2, o Hospital da Mulher, o Hospital da Chapada, em Seabra, o Hospital Costa do Cacau, em Ilhéus, e o Instituto Couto Maia. A rede estadual passou a ganhar força não apenas na capital, mas também em polos regionais estratégicos.

Com Jerônimo Rodrigues, a Bahia alcançou o maior ritmo recente de abertura de leitos na rede própria, com mais de 2 mil novas vagas entregues. A atual gestão avançou na estadualização de hospitais, fortaleceu unidades no interior e inaugurou estruturas como a Maternidade-Hospital Regional de Juazeiro, o Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, em Salvador, e o Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas.

Hoje, o resultado acumulado desse ciclo soma 4.948 leitos na rede própria estadual. Além disso, o Governo do Estado monitora e financia uma rede complementar com 3.772 leitos contratados junto a unidades filantrópicas, municipais e privadas. Essa retaguarda garante suporte em clínica médica, cirurgia, saúde materno-infantil, pediatria, UTI adulta, UTI pediátrica, UTI neonatal, ortopedia, oncologia, saúde mental e cuidados prolongados.

Para a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, a ampliação da rede representa uma mudança concreta na vida da população. “A Bahia deixou para trás uma lógica em que o paciente precisava sair da sua região para tentar atendimento na capital. O que estamos fazendo é construir uma rede mais próxima das pessoas, com hospitais regionais, leitos de UTI, maternidades, serviços especializados e uma retaguarda contratada para garantir acesso, segurança e cuidado em tempo oportuno”, afirmou.

Segundo Roberta, a abertura de leitos é parte de uma estratégia maior de organização do SUS na Bahia. “Leito não é apenas número. Leito é cirurgia realizada, é paciente regulado com mais rapidez, é gestante assistida com segurança, é uma família que não precisa atravessar o estado em uma ambulância para conseguir atendimento. Esse é o sentido da regionalização da saúde: cuidar das pessoas onde elas vivem”, completou.

O modelo combina investimento público direto, fortalecimento da rede própria e contratação complementar para suprir vazios assistenciais. Em municípios como Caetité e Lauro de Freitas, a continuidade entre gestões também aparece de forma concreta. Rui Costa implantou estruturas estratégicas, como o Hospital de Oncologia em Caetité e o Hospital Riverside em Lauro de Freitas, enquanto Jerônimo avança com novos equipamentos e serviços nessas regiões.

A expansão dos leitos se tornou um dos principais símbolos da política de saúde da Bahia. Ao transformar a rede hospitalar em uma estrutura mais regionalizada, o Estado rompeu com a antiga lógica da concentração em Salvador e passou a tratar a saúde como política continuada de cuidado, presença territorial e valorização da vida.

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