Por | Moisés Cambuy
A história da construção da Escola Municipal do Curralinho, destinada ao atendimento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), levanta uma pergunta inevitável: se a empresa não entregou a obra dentro do contrato original, por que foi novamente escolhida para concluí-la? A decisão da Prefeitura de Salvador de rescindir o contrato e, poucos dias depois, homologar uma nova licitação vencida pela mesma construtora desperta dúvidas que vão além da burocracia administrativa.
Segundo as informações divulgadas, a Nordeste Engenharia já havia recebido mais de R$ 12,5 milhões entre 2021 e 2025 durante a execução do contrato anterior. Agora, a empresa volta ao projeto com uma nova proposta de R$ 6,75 milhões para finalizar a unidade escolar. Embora a contratação possa ter seguido os trâmites legais, a sequência dos fatos exige transparência e uma explicação convincente à sociedade, sobretudo às famílias que aguardam há anos pela conclusão de um equipamento tão essencial.
O maior prejuízo não é apenas financeiro, mas humano. Enquanto contratos são encerrados e reabertos, crianças com TEA continuam esperando por uma estrutura especializada que poderia transformar suas vidas. A lentidão da obra evidencia como a falta de eficiência na gestão pública afeta diretamente quem mais precisa dos serviços do Estado, tornando a promessa de inclusão uma realidade constantemente adiada.
Em uma administração pública comprometida com resultados, situações como essa deveriam ser exceção, e não motivo de desconfiança. Afinal, quando a mesma empresa retorna para concluir uma obra após a rescisão do contrato anterior, a população tem o direito de questionar se houve planejamento, fiscalização eficiente e respeito ao dinheiro público. Transparência não é favor; é obrigação de quem administra recursos que pertencem à sociedade.







