Opinião de Moisés Cambuy
A cada novo capítulo das investigações envolvendo a empresa G3 Polaris, o discurso da oposição baiana sobre ética na gestão pública vai ficando mais difícil de sustentar. Depois de contratos milionários durante as administrações de ACM Neto e Bruno Reis, em Salvador, agora surgem informações de pagamentos superiores a R$ 12 milhões em Vitória da Conquista, atravessando duas gestões alinhadas ao mesmo grupo político. Pelo visto, a afinidade não se limitava aos palanques eleitorais.
Os números chamam atenção. Entre 2019 e 2026, a empresa recebeu R$ 12.185.466,95 da Prefeitura de Vitória da Conquista, em contratos que começaram na gestão de Herzem Gusmão e seguiram sob a administração da prefeita Sheila Lemos. Enquanto isso, em Salvador, a G3 Polaris e outras empresas investigadas movimentaram, juntas, mais de R$ 321 milhões em contratos. Coincidência demais para quem sempre fez questão de posar como referência em gestão e transparência.
Como se não bastasse, em Jequié, o então prefeito Zé Cocá também manteve contratos com a mesma empresa, destinando cerca de R$ 11 milhões entre 2023 e 2025. O que antes parecia um episódio isolado começa a desenhar um roteiro conhecido: os mesmos personagens, a mesma empresa e milhões de reais circulando em administrações politicamente conectadas. É o tipo de enredo que torna cada vez mais difícil vender a narrativa de que tudo não passa de mera casualidade.
Vale lembrar que investigação não é condenação, e cabe à Justiça apurar os fatos e garantir o direito de defesa de todos os envolvidos. Ainda assim, o cidadão tem todo o direito de fazer uma pergunta simples: se o discurso era de eficiência, moralidade e rigor com o dinheiro público, por que a mesma empresa aparece repetidamente em administrações ligadas ao mesmo grupo político? Afinal, transparência não pode ser apenas um slogan de campanha; ela precisa resistir quando os holofotes das investigações se acendem.







