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Inteligência Artificial ou Artificialidade Política?

Por: Moisés Cambuy

Depois da divulgação de uma perícia que apontou fortes indícios de uso de inteligência artificial na elaboração do programa de governo de ACM Neto, a tentativa de justificar o caso acabou levantando ainda mais dúvidas do que oferecendo respostas. Dizer que a IA foi utilizada apenas para consultar dados públicos do IBGE e corrigir ortografia soa como uma explicação difícil de sustentar diante de um documento de mais de 200 páginas que foi alvo de análise técnica. Quando a justificativa parece menor que a suspeita, a credibilidade entra em xeque.

As críticas feitas pelo secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, seguem justamente essa linha. Em tom irônico, ele lembrou que, em outro momento, ACM Neto questionava dados do IBGE e agora afirma ter recorrido à inteligência artificial para acessar essas mesmas informações públicas. Afinal, para consultar dados disponíveis a qualquer cidadão não é preciso IA de última geração; basta um navegador de internet. A explicação acaba parecendo mais uma tentativa de apagar um incêndio com gasolina.

O histórico recente também pesa no debate político. Entre acusações envolvendo vídeos artificiais, estratégias de marketing e agora a polêmica sobre um programa de governo supostamente produzido ou reescrito com auxílio de IA, cresce a impressão de que a campanha aposta mais em efeitos especiais do que em conteúdo. Em política, tecnologia pode ser uma ferramenta legítima, mas jamais deveria servir de atalho para esconder a autoria das ideias ou criar narrativas convenientes.

No fim das contas, a maior inteligência que um candidato pode demonstrar não é a artificial, mas a honestidade com o eleitor. Porque programas de governo não são trabalhos escolares para serem corrigidos por um aplicativo nem peças de propaganda para serem maquiadas por algoritmos. O povo espera propostas reais, compromisso verdadeiro e transparência. Se até as explicações parecem artificiais, fica inevitável a pergunta: onde termina a tecnologia e começa a falta de credibilidade?

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