O indiciamento de José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, pela Polícia Federal, recoloca a Operação Overclean no centro do debate político baiano e aumenta a pressão sobre o grupo ligado ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Moura está entre os empresários e agentes públicos investigados por suspeitas que envolvem corrupção, fraudes em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o esquema teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos considerados fraudulentos e obras com suspeita de superfaturamento.
O caso ganha uma dimensão política ainda maior diante das relações mantidas pelo empresário com setores da cúpula do União Brasil. Investigações da Polícia Federal apontaram que Moura teria recorrido a interlocutores políticos para facilitar negócios do grupo empresarial, inclusive em operações relacionadas a emendas parlamentares. O empresário também integrou o diretório nacional do partido e chegou à estrutura da legenda por indicação de ACM Neto, conforme reportagens divulgadas durante o avanço da operação.
A investigação também lança novamente os holofotes sobre contratos de limpeza urbana. Segundo a Polícia Federal, empresas investigadas teriam utilizado pagamentos ilícitos para conquistar contratos públicos e, posteriormente, desviar recursos. É justamente nesse ponto que a Overclean encontra um capítulo particularmente sensível para a política de Salvador: o consórcio do qual participa uma empresa ligada a Marcos Moura recebeu, em 2018, contrato para serviços de coleta de lixo da Limpurb, durante a gestão de ACM Neto, mantendo posteriormente vínculos contratuais com a Prefeitura já sob o comando de Bruno Reis.
Mais do que um episódio policial, o novo avanço da Overclean cria um problema político para o grupo de oposição na Bahia. As investigações ainda precisam seguir seu curso e eventuais responsabilidades individuais dependem das conclusões das autoridades e das decisões da Justiça. Mas a presença de um empresário com trânsito na cúpula partidária e negócios firmados durante administrações do mesmo campo político mantém o caso sob forte escrutínio e cobra respostas sobre como essas relações foram construídas e fiscalizadas ao longo dos anos.







