Por: Moisés Cambuy
A nova pesquisa do Paraná Pesquisas coloca ACM Neto com 48,5% e Jerônimo Rodrigues com 40,1%, uma vantagem de 8,4 pontos para o ex-prefeito de Salvador. O resultado, por si só, é legítimo e merece ser respeitado. O problema começa quando se coloca esse número ao lado de outros dados divulgados pelo próprio instituto e se percebe uma curiosa dificuldade de fazer as peças do quebra-cabeça se encaixarem.
Em levantamento anterior, o Paraná Pesquisas apontou Jerônimo com 47% entre os eleitores de 16 a 24 anos e registrou aprovação de 59,6% para sua administração justamente nessa faixa etária. Agora, o mesmo instituto apresenta um cenário geral no qual o governador aparece 8,4 pontos atrás de ACM Neto. É perfeitamente possível que aprovação e intenção de voto não caminhem juntas, mas a discrepância é grande o suficiente para exigir do instituto mais transparência sobre metodologia, amostra, distribuição dos entrevistados e critérios utilizados.
O ponto não é questionar o direito do Paraná Pesquisas de apresentar o resultado que encontrou. O ponto é perguntar por que determinadas pesquisas do instituto produzem fotografias tão diferentes em tão pouco tempo. Se a pesquisa anterior mostrava força extraordinária de Jerônimo entre os jovens e elevada aprovação da gestão, seria razoável esperar que o instituto explicasse melhor como esses indicadores convivem com uma vantagem de 8,4 pontos para o adversário no cenário atual.
No jornalismo, pesquisa não é dogma — é informação para ser analisada e questionada. E, neste caso, quem precisa explicar a aparente contradição não é o eleitor, muito menos o candidato. É o próprio Paraná Pesquisas. Afinal, quando a fotografia muda radicalmente, o mínimo que se espera do fotógrafo é explicar se mudou a paisagem, a lente ou simplesmente o ângulo da câmera.







