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Corpo feminino não é palanque eleitoral

Por: Moisés Cambuy

A declaração do governador Jerônimo Rodrigues, durante comício em Guanambi, recoloca no centro do debate uma questão que não deveria ser tratada como estratégia eleitoral: o respeito às mulheres. Ao criticar um evento realizado pela oposição em Salvador, no qual mulheres foram expostas sobre um carro, o governador afirmou que o corpo feminino não pode ser utilizado como instrumento para atrair votos. É uma posição que merece ser discutida para além da disputa partidária.

Independentemente de preferências políticas, transformar a imagem da mulher em recurso de marketing eleitoral é uma prática que precisa ser questionada. A política deve ser espaço de propostas, ideias e respeito, e não de exploração da imagem feminina para chamar atenção ou conquistar popularidade. Quando Jerônimo afirma que o respeito às mulheres deve ser um critério para avaliar qualquer candidato, ele eleva o debate para um campo que interessa à sociedade como um todo.

A disputa eleitoral pode — e deve — ser acirrada, mas não precisa perder seus limites de civilidade. Críticas entre adversários fazem parte da democracia; o que não pode ser normalizado é a utilização do corpo feminino como chamariz político. Em um cenário marcado por tantas demandas sociais, espera-se dos candidatos muito mais do que slogans e espetáculos: espera-se postura, responsabilidade e, sobretudo, respeito.

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