Home / Política / Augusto Cury cresce, rompe a bolha e acende um alerta na eleição presidencial

Augusto Cury cresce, rompe a bolha e acende um alerta na eleição presidencial

Por: Moisés Cambuy

A mais recente pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (31), traz um dado que merece muito mais atenção do que o simples percentual de um candidato: Augusto Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto, um avanço de nove pontos em apenas uma semana. Lula aparece na liderança, com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%, enquanto Cury já se distancia dos demais nomes da chamada terceira via. O levantamento ouviu 2.005 eleitores entre os dias 28 e 30 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Mais importante do que perguntar se Cury já ameaça Lula ou Flávio — ainda não ameaça — é entender de onde está vindo esse crescimento. Na pesquisa, Cury chega a 19% entre os eleitores que não se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro, enquanto entre os jovens de 16 a 24 anos alcança 22%. Nas redes sociais, o movimento também ganhou força: após o debate da Band, ele passou a liderar as buscas entre presidenciáveis e ganhou milhões de seguidores.

Politicamente, o fenômeno é significativo porque a eleição começa a mostrar que existe demanda por uma alternativa à polarização. Cury começa a mexer nesse tabuleiro. Seu discurso de outsider, associado à imagem de escritor, psiquiatra e empresário, conversa com um eleitor que busca por uma alternativa que saia do debate extremista. Mas há um detalhe importante: crescer rapidamente é uma coisa; transformar visibilidade em voto consolidado é outra. A própria comparação entre pesquisas exige cautela, porque institutos diferentes utilizam metodologias e amostras distintas.

O que Cury conseguiu, portanto, não é ainda uma eleição competitiva — é algo talvez mais perigoso para os adversários: tornou-se um fenômeno político a ser levado a sério. Onze por cento, depois de sair de apenas 2%, não podem mais ser tratados como uma candidatura decorativa. Se esse crescimento continuar, ele poderá retirar votos tanto do campo bolsonarista quanto do eleitorado independente e obrigar Lula e Flávio a mudar o discurso para enfrentar um terceiro personagem que não estava no roteiro original. A grande pergunta agora não é se Augusto Cury pode vencer. É até onde pode chegar, até que os marqueteiros dos dois maiores grupos políticos do país percebam que é preciso mudar a rota.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *