Como se não bastasse a enorme repercussão das declarações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo ACM Neto e uma suposta comissão de 10% relacionada a serviços prestados à instituição em operações envolvendo aportes de aposentadorias, agora outro episódio constrangedor coloca o político baiano no centro das atenções nacionais. Mulheres nuas em um evento político ligado ao grupo de Neto provocaram tamanha repercussão que a Justiça Eleitoral determinou restrições e estabeleceu multas em caso de reincidência. Não estamos falando apenas de uma polêmica de rede social: trata-se de um episódio que ultrapassou as fronteiras da Bahia e ganhou espaço no noticiário nacional.
E quando um fato político sai das páginas locais e chega à GloboNews, fica ainda mais difícil fingir que nada aconteceu. A questão deixou de ser simplesmente uma disputa entre adversários e passou a envolver a imagem pública de quem pretende governar a Bahia. Um candidato que tenta vender a ideia de “mudança” precisa, antes de tudo, explicar os episódios que cercam sua própria trajetória política. Afinal, não é possível querer ocupar o Palácio de Ondina apresentando-se como novidade enquanto, ao seu redor, acumulam-se controvérsias, decisões judiciais e notícias de repercussão nacional.
E aqui cabe uma ironia: logo, logo, talvez a resposta seja dizer que tudo é “fake”. É o argumento mais conveniente quando a realidade deixa de caber no discurso eleitoral. Mas notícia nacional não desaparece com um post nas redes sociais, decisão judicial não vira fake por conveniência política e acusações públicas não deixam de exigir esclarecimentos porque são desagradáveis. O eleitor baiano merece respostas — não desculpas prontas. Porque, quando a política precisa transformar toda controvérsia em “fake”, talvez o problema já não esteja na notícia, mas na dificuldade de explicar os fatos.







