Opinião de Moisés Cambuy
Nove integrantes de uma facção morreram após uma operação da Polícia Militar em Cajazeiras que terminou com a apreensão de 11 armas, incluindo quatro fuzis, além de pistolas, carabina e espingarda calibre 12. Mas, para o Correio, jornal ligado ao grupo político de ACM Neto, a manchete parece ter chegado antes mesmo da apuração completa dos fatos.
A publicação ouviu um sociólogo que classificou o episódio como “chacina” e afirmou que “o uso da força não pode ser banalizado”. Uma conclusão pesada para um caso que ainda precisava ser investigado em todas as suas circunstâncias. Afinal, aparentemente, basta contar os mortos para alguns especialistas já distribuírem sentenças — investigação fica para depois.
O curioso é que ninguém parece lembrar que, do outro lado do confronto, também estavam policiais. Homens e mulheres armados de serviço, diante de criminosos fortemente armados, com quatro fuzis entre o arsenal apreendido. Para quem acompanha a realidade da segurança pública apenas do conforto de uma redação, talvez seja fácil transformar confronto em tese acadêmica.
Criticar abusos policiais é necessário em qualquer democracia. Mas transformar automaticamente uma operação contra uma facção armada em condenação prévia dos agentes da lei também é uma forma perigosa de fazer jornalismo. Na guerra contra o crime, a polícia precisa ser fiscalizada, sim — mas policial não pode ser tratado como criminoso simplesmente por ter entrado no confronto.







