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ACM Neto e o curioso afastamento de Flávio Bolsonaro na Bahia

Foto : Reprodução

Opinião de Moisés Cambuy

Tem cena política que dispensa legenda: basta olhar quem está no palanque — e, principalmente, quem fez questão de não estar. Enquanto Flávio Bolsonaro desembarcava na Bahia para cumprir agenda eleitoral, em Vitória da Conquista, ACM Neto apareceu como uma das ausências mais comentadas. É um afastamento curioso, sobretudo porque o PL integra a chapa de Neto e João Roma, um dos principais nomes do bolsonarismo baiano, disputa o Senado ao lado do ex-prefeito de Salvador.

A situação ganha uma pitada de ironia quando se lembra que Neto declarou apoio a Ronaldo Caiado para a Presidência. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro circula pela Bahia acompanhado de aliados que fazem parte do mesmo campo político de Neto. É quase uma política de condomínio: cada morador sabe quem está no prédio, mas alguns preferem não aparecer na mesma foto. Só que eleição é justamente aquela época em que as fotografias, os palanques e as alianças começam a falar mais alto que os discursos cuidadosamente ensaiados.

E há outro detalhe que deixa a história ainda mais saborosa: no 7 de Setembro, a Folha de S.Paulo registrou manifestações em Salvador com bandeiras que associavam ACM Neto e Flávio Bolsonaro, embora a campanha de Neto tenha negado ter produzido esse material e afirmado que se tratava de iniciativa de apoiadores. Portanto, entre a imagem que alguns apoiadores exibem, a aliança partidária existente e a distância física adotada em determinadas agendas, fica um cenário político no mínimo peculiar. No fim das contas, parece que o problema não é exatamente estar perto do bolsonarismo — é decidir quando convém aparecer perto dele.

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