Documentos anexados a uma ação em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) apontam que a Prefeitura de Salvador autorizou o pagamento de R$ 46.444,45 por oito publicações em perfis do Instagram. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (21) pelo Política ao Vivo, as contratações foram realizadas pela Secretaria Municipal de Comunicação e aparecem identificadas como “Prefeitura em Ação Jun 2026” e “Publicidade de Utilidade Pública”. Os documentos citados na reportagem apontam que os perfis receberam recursos públicos e, durante o período eleitoral, passaram a divulgar conteúdos críticos ao governador Jerônimo Rodrigues e a integrantes do PT, além de publicações favoráveis ao ex-prefeito ACM Neto.
Entre os perfis mencionados estão Fofoca Salvador, Kikiki Salvador, Fofoquei Brasil Oficial e Comedia Baiana. De acordo com os documentos apresentados na ação, algumas publicações atacaram diretamente o governador e o ex-ministro Rui Costa, enquanto outras divulgaram conteúdos favoráveis a ACM Neto. Uma das postagens teria chamado Jerônimo de “covarde”, enquanto outra abordou a saída de prefeitos da base governista. O material também aponta que uma publicação do perfil Fofoquei Brasil Oficial utilizou uma música de deboche contra o governador. A reportagem informa ainda que os autos apresentam datas, links e comprovantes das publicações contratadas.
O episódio ocorre em meio a outros questionamentos envolvendo o uso de redes sociais no cenário político baiano. Em julho, o Bahia Notícias informou que o TRE-BA identificou acessos à página “Jerolândia Bahia”, que divulgava conteúdos contra Jerônimo Rodrigues, a partir de endereços de internet vinculados à estrutura da Prefeitura de Salvador. Na ocasião, a Justiça determinou que a Secretaria Municipal da Educação fornecesse informações para identificar um dos usuários. A gestão municipal apresentou contestação sobre o uso da estrutura pública. Embora sejam apurações distintas, os casos colocam em discussão a utilização de recursos, estruturas e ferramentas digitais no ambiente político-eleitoral.
Outro ponto destacado na reportagem do Política ao Vivo é o contrato firmado entre a Prefeitura de Salvador e a agência responsável pela publicidade, cujo valor estimado seria de R$ 120 milhões. A ação eleitoral questiona a relação entre as campanhas institucionais financiadas pelo município e a atuação posterior dos perfis nas disputas políticas. Os documentos relatados levantam questionamentos que dependem de análise da Justiça Eleitoral, e a existência de pagamentos por publicidade, por si só, não comprova irregularidade ou coordenação eleitoral. Caberá às autoridades examinar os contratos, os serviços efetivamente prestados e a eventual relação entre as contratações públicas e os conteúdos políticos divulgados.
Fontes: Política ao Vivo; Bahia Notícias; Jornal Grande Bahia.







