Por [Moisés Cambuy]
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a afirmar nesta quinta-feira (19/2) que sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é pautada em lealdade — não em submissão —, em meio a um momento de crescente tensão política com o presidente nacional do PSD e secretário de Governo, Gilberto Kassab.
Em eventuais indiretas ao dirigente socialista, Tarcísio disse que “quem fala de submissão, não entende nada de lealdade”, ao rebater críticas implícitas de Kassab sobre sua postura política. O governador insistiu que sua gratidão pessoal e política a Bolsonaro decorre da trajetória conjunta e do apoio que recebeu na eleição ao governo paulista, e que isso não significa que esteja sob dependência política do clã do ex-presidente.
O desconforto entre as lideranças ganhou corpo após Kassab afirmar que Tarcísio precisa construir uma identidade política própria, distinta de uma relação de dependência com Bolsonaro — ainda que reconheça a importância da lealdade e do reconhecimento histórico na política. Essa declaração, segundo bastidores políticos, teria irritado aliados do governador no Palácio dos Bandeirantes e influenciado negociações sobre a composição da chapa para sua reeleição.
Fontes próximas afirmam que o episódio teve impacto direto nos planos do PSD de integrar a chapa majoritária de Tarcísio para as eleições estaduais de 2026, inclusive retirando Kassab da lista de potenciais candidatos a vice-governador ao lado do titular. A insatisfação teria levado líderes do Republicanos a priorizar outros nomes para o posto, em detrimento da expectativa de reforçar a aliança entre as legendas.
Analistas veem a disputa como um reflexo das dificuldades de costurar consensos na base governista paulista, que envolve não apenas Republicanos e PSD, mas também a influência do PL e do próprio clã Bolsonaro na definição de estratégias eleitorais não só para o estado, mas também para o cenário nacional.
Tarcísio, que manteve sua decisão de concentrar esforços na reeleição em São Paulo, tem repetido publicamente sua admiração e reconhecimento pela liderança de Bolsonaro no espectro da direita brasileira. Essa postura ocorre em paralelo à tentativa de equilibrar alianças com setores mais moderados e ampliar sua base eleitoral além do eleitorado bolsonarista tradicional.







