Por | Moisés Cambuy
A nova pesquisa do instituto Real Time Big Data que aponta vantagem de ACM Neto sobre Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo da Bahia deve ser lida com muita cautela — e até com uma boa dose de desconfiança política. O levantamento, que ouviu cerca de 1.200 eleitores e aponta 44% para Neto contra 35% para Jerônimo, carrega a tradicional margem de erro de três pontos percentuais e se baseia em um retrato momentâneo de um cenário eleitoral ainda distante da eleição. Em outras palavras: é fotografia de um instante — e não necessariamente o filme real da política baiana.
Mas o histórico recente de institutos que proliferaram no Brasil nos últimos anos recomenda prudência. O próprio mercado de pesquisas eleitorais tem sido criticado pela inconsistência de alguns levantamentos, com resultados que, em diversas eleições, divergiram significativamente das urnas. A multiplicação de institutos e metodologias pouco transparentes tem levado analistas a questionar a confiabilidade de certas pesquisas e o uso político que muitas vezes se faz delas — especialmente quando divulgadas muito cedo no calendário eleitoral.
No caso específico da Bahia, o cenário também está longe de ser estático. O próprio instituto já produziu levantamentos que mostram quadros bastante diferentes dependendo do cenário testado ou dos nomes incluídos na disputa, o que demonstra que o jogo eleitoral está aberto e sujeito a fortes oscilações. Quando pesquisas variam tanto em pouco tempo, é legítimo perguntar se estamos diante de tendências reais do eleitorado ou apenas de números que refletem o momento político — ou interesses de quem os divulga.
Além disso, qualquer tentativa de transformar uma pesquisa isolada em “sentença eleitoral” ignora fatores que podem pesar muito mais no debate público. A própria trajetória política de ACM Neto segue acompanhada por polêmicas e questionamentos envolvendo seu entorno político e financeiro — temas que inevitavelmente voltam ao debate público em períodos eleitorais e podem influenciar a percepção do eleitor. Em política, pesquisas são termômetros, não oráculos. E na Bahia — como a história eleitoral do estado já demonstrou várias vezes — quem decide a eleição de verdade não são os institutos, mas o voto imprevisível das urnas.







