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Quando a sujeira incomoda, o plano é simples: empurrar para baixo do tapete

Há decisões que deveriam causar espanto. Outras, sinceramente, nem deveriam precisar ser discutidas. O voto de Luiz Fux acompanhando o relator André Mendonça para manter Daniel Vorcaro preso entra exatamente nessa segunda categoria. Diante da quantidade de escândalos, denúncias e dúvidas que orbitam esse caso, tratar o assunto como se fosse apenas mais um processo técnico parece quase uma piada — daquelas que ninguém ri porque todo mundo sabe que o enredo é sério demais.

A opinião de Moisés Cambuy é direta: isso não deveria sequer ser objeto de grande debate. Quando os fatos se acumulam de maneira tão evidente, insistir em relativizar o problema soa como aquele velho truque institucional brasileiro — fingir surpresa enquanto se varre a sujeira para baixo do tapete. E o tapete, convenhamos, já está tão alto que virou praticamente um morro.

O que incomoda não é apenas a decisão em si, mas a sensação de que certas estruturas ainda operam como se a opinião pública fosse um detalhe decorativo. Como se bastasse uma canetada, um voto protocolar, e pronto: o país seguiria adiante como se nada estivesse acontecendo. Só que não é mais assim. As pessoas estão vendo, acompanhando e, principalmente, cansando dessa coreografia previsível de escândalos seguidos de silêncio institucional.

No fim das contas, o recado que fica é duro: quando o problema é grande demais para ser ignorado, alguns preferem apenas reorganizar o tapete. O risco é que, de tanto esconder a sujeira, chegue uma hora em que ninguém mais consiga atravessar a sala sem tropeçar nela. E aí já não será mais possível fingir que era apenas poeira.

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