Opinião de Moisés Cambuy
A disputa entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escancara um velho problema da política brasileira: a dificuldade de transformar coalizões amplas em projetos coesos. Em vez de fortalecer o campo governista para as eleições de 2026, conflitos regionais têm atrasado a definição de palanques e exposto fissuras preocupantes. Em estados estratégicos, grupos que deveriam caminhar juntos travam disputas internas que mais parecem batalhas de oposição, comprometendo a construção de uma narrativa unificada.
O caso do Maranhão é emblemático, com o rompimento entre Flávio Dino e Carlos Brandão gerando não apenas divergências políticas, mas também judicialização e rearranjos inesperados. Situações semelhantes se repetem em estados como Pernambuco, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, onde aliados disputam protagonismo e inviabilizam acordos. Essa fragmentação revela que o problema não é a falta de nomes, mas o excesso de ambições conflitantes dentro da própria base.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores adota uma estratégia cautelosa, tentando consolidar alianças nacionais antes de oficializar apoios regionais. A ideia é evitar o chamado “fogo amigo”, mas o efeito prático tem sido o oposto: o vácuo de definições alimenta ainda mais disputas locais. Em contraste, adversários políticos avançam com mais rapidez na formação de palanques, ocupando espaços e criando vantagem estratégica em estados-chave como Minas Gerais.
Se não houver uma intervenção firme e coordenada, Lula corre o risco de chegar à eleição com uma base fragmentada — forte no discurso, mas frágil na prática. Em política, alianças não sobrevivem apenas de afinidade ideológica; elas exigem liderança capaz de arbitrar conflitos e impor direção. O desafio do presidente não será apenas enfrentar adversários, mas, sobretudo, colocar ordem dentro de casa.







