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Acabou a “farsa”

Por |Moisés Cambuy

Acabou a farsa. A recente aproximação entre ACM Neto, Flávio Bolsonaro e a cúpula do PL não deixa mais espaço para disfarces: o projeto de poder está escancarado. O que antes tentava se vender como uma alternativa “moderada” na Bahia agora revela seu verdadeiro alinhamento — um movimento calculado para disputar o governo do estado com o apoio direto do bolsonarismo. Não é estratégia nova, mas é, no mínimo, reveladora.

A Bahia, que historicamente se posiciona como um dos estados mais progressistas do país, vê agora uma tentativa explícita de reconfiguração política. A articulação liderada por Flávio não é inocente: trata-se de uma ofensiva clara para reduzir a influência de Luiz Inácio Lula da Silva no estado, um dos seus principais redutos eleitorais. E, para isso, vale tudo — inclusive reciclar alianças improváveis e reposicionar figuras que até pouco tempo evitavam esse tipo de associação pública.

ACM Neto, por sua vez, parece confortável nesse novo papel. Ou talvez nem tão novo assim. A dúvida que fica no ar — e que muita gente já começa a sussurrar — é: o que motivou essa guinada tão explícita? Convicção ideológica repentina ou houve algum “incentivo” extra no caminho? Em tempos recentes, a palavra “pix” ganhou conotações curiosas no vocabulário político brasileiro, e não seria absurdo questionar se estamos diante de mais um capítulo desse roteiro.

O problema é que a Bahia não costuma comprar esse tipo de enredo facilmente. Subestimar o eleitor baiano pode ser um erro fatal. A tentativa de impor um projeto desalinhado com a identidade política do estado tende a enfrentar resistência — e talvez um tombo daqueles. Porque, no fim das contas, quem aposta que pode conduzir o povo como rebanho corre o risco de não apenas cair do cavalo… mas despencar direto do próprio “gado”.

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