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ACM Neto foge do próprio retrato político

EDITORIAL | MOISÉS CAMBUY

O portal g1 não deixou margem para dúvidas ao classificar ACM Neto entre os principais aliados e bases políticas de Flávio Bolsonaro na disputa nacional. A identificação não surgiu da oposição, nem de adversários locais, mas de um dos maiores veículos de comunicação do país. O curioso é que, enquanto o noticiário registra essa vinculação de forma objetiva, ACM Neto parece empenhado em fazer o impossível: ser associado ao bolsonarismo quando lhe convém e desaparecer quando a presença dos Bolsonaro se torna politicamente incômoda na Bahia.

A contradição fica ainda mais evidente diante da visita de Flávio Bolsonaro ao estado. Se existe alinhamento político, por que tanto constrangimento? Por que a distância calculada? O eleitor tem o direito de perguntar se ACM Neto pretende continuar cultivando essa relação apenas nos bastidores, evitando fotografias, discursos conjuntos e demonstrações públicas de apoio. Afinal, não se trata de um desconhecido desembarcando em território baiano, mas de uma das principais lideranças do grupo político ao qual ele é frequentemente associado.

O episódio lembra outro caso emblemático. Quando Eduardo Bolsonaro esteve na Bahia, também não se viu grande entusiasmo para transformar a visita em um ato político robusto ao lado de ACM Neto. A impressão transmitida foi a de que determinados aliados servem para fortalecer narrativas em alguns momentos, mas precisam ser mantidos à distância quando podem gerar desgaste eleitoral. É uma espécie de amizade sazonal: aparece nas conveniências e desaparece nas dificuldades.

A pergunta que fica é simples e direta: ACM Neto irá recepcionar Flávio Bolsonaro na Bahia ou continuará praticando a política do esconde-esconde? Se o senador é um aliado importante, o gesto natural seria recebê-lo de braços abertos e compartilhar o mesmo palanque. Se não é, então talvez seja hora de explicar ao eleitor por que tantos veículos e analistas políticos insistem em colocá-los no mesmo campo. Na política, como na vida, ninguém consegue passar muito tempo correndo do próprio reflexo. Afinal, chega um momento em que a fotografia fala mais alto do que qualquer tentativa de silêncio.

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