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ACM tenta “lacrar” com a região cacaueira, mas é desmascarado pelo líder do governo na Assembleia

Foto: Assessoria da Assembleia

Por | Moisés Cambuy

A velha política do palanque itinerante ganha mais um capítulo com ACM Neto desfilando pela região cacaueira como se tivesse descoberto, de repente, que o cacau existe — e que rende votos. Segundo o líder do governo na Assembleia, Rosemberg Pinto, enquanto o discurso oposicionista floresce em época pré-eleitoral, as ações concretas seguem em estado de hibernação permanente. Afinal, prometer é barato; difícil mesmo é empenhar recursos quando se tem a caneta e a bancada à disposição.

Os números, esses seres teimosos que insistem em estragar narrativas, mostram que a bancada do União Brasil não destinou um único centavo dos R$ 700,6 milhões em emendas para fortalecer a cadeia produtiva do cacau entre 2022 e 2026. Zero. Nem simbólico, nem protocolar. É curioso como o entusiasmo pelo produtor rural aparece apenas no calendário eleitoral — talvez o cacau floresça melhor sob o sol das urnas do que sob o peso da responsabilidade orçamentária.

Para completar a ironia, a tal portaria que facilitava a entrada de cacau africano no Brasil nasceu sob o governo de Jair Bolsonaro, aliado político de primeira hora de ACM. Medida que, segundo o governo baiano, prejudicava diretamente os produtores locais e só foi revertida após articulação do governador Jerônimo Rodrigues junto ao presidente Lula. No roteiro da coerência, fica difícil defender o agricultor enquanto se caminha de mãos dadas com políticas que ampliam a concorrência externa sem salvaguardas.

No fim das contas, o contraste é didático: de um lado, programas estruturados, cooperativas fortalecidas e centenas de milhões investidos; do outro, discursos inflamados e uma impressionante habilidade de não direcionar sequer uma emenda agrícola à região. A demagogia, como se vê, é um fertilizante potente para palanques — mas completamente estéril quando o assunto é desenvolvimento real.

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