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Data Folha diz que Lula “empata” com Flávio Bolsonaro no segundo turno

Por: Moisés Cambuy

A nova pesquisa do Datafolha — ou melhor, “Data falha” — conseguiu mais uma vez fazer aquilo que o instituto parece dominar: gerar desconfiança. Segundo o levantamento divulgado agora, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que teria 43%, configurando um chamado “empate técnico” dentro da margem de erro. Claro, quando a diferença cabe na margem de erro, o instituto chama de empate. Quando não cabe na lógica de muita gente, chamam de fotografia do momento.

O curioso é que poucos meses atrás o mesmo instituto apontava um cenário bem diferente: Lula aparecia com 51% contra 36% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 15 pontos. Em um intervalo relativamente curto, a corrida presidencial teria sofrido uma reviravolta digna de roteiro de novela. Para alguns, isso demonstra mudança no eleitorado; para outros, apenas reforça a impressão de que as pesquisas funcionam mais como termômetro instável do que como instrumento realmente confiável de previsão eleitoral.

E não é a primeira vez que levantamentos desse tipo viram motivo de chacota. Em diversas eleições recentes, institutos erraram projeções importantes, especialmente quando tentaram prever resultados com grande antecedência. Em 2022, por exemplo, várias pesquisas indicavam cenários que acabaram se mostrando bem diferentes nas urnas, com diferenças maiores ou menores do que o esperado entre candidatos. A desculpa padrão costuma ser a mesma: “a pesquisa retrata apenas o momento”. Traduzindo: se acertar, é ciência; se errar, era só uma fotografia.

No fim das contas, o eleitor brasileiro já aprendeu a olhar esse tipo de levantamento com um saudável ceticismo. Afinal, se a cada nova rodada os números mudam drasticamente, fica difícil saber se estamos diante de análise séria ou apenas de mais um episódio da série estatística chamada “Data falha”. Porque, quando a credibilidade começa a oscilar mais do que os próprios números da pesquisa, talvez o problema não esteja no eleitor — mas no instituto.

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