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Flávio Bolsonaro pede ajuda de todos todas e “todes”

Por | Moisés Cambuy

Na peça mais recente do teatro político nacional, Flávio Bolsonaro resolveu que a melhor forma de pedir apoio à campanha — depois de ver aliados e até parentes discutindo em público — seria convocar “todas, todos, todes, todys e todXs” a ajudar na sua eleição. Sim, é isso mesmo: o mesmo político que passou anos atacando a tal da linguagem neutra resolveu, no que pode ser um ato genuíno ou simplesmente uma vontade súbita de ser cool, usar exatamente os termos que sempre ridicularizou.

É curioso ver esse conto de fadas linguístico ganhar vida justamente quando o racha no próprio PL estava exposto ao sol, com críticas entre irmãos e aliados sobre quem apoia a candidatura e quem prefere ficar linguinha de fora olhando o circo pegar fogo. Ao que tudo indica, pedir ajuda a todos, todas, todes… não foi exatamente uma revolução inclusiva, mas talvez uma estratégia desesperada de embrulhar uma briga em família em papel bonitinho para distrair o público.

O mais engraçado — ou triste, dependendo do copo meio cheio ou meio vazio que você usa — é imaginar que alguém possa achar que a simples enumeração de variações de um pronome vai transformar o coração político de eleitores que, se quisessem mesmo “todas, todos e todes”, estariam provavelmente em outro partido. Não chega a ser um pedido de campanha: é mais um meme de marketing político tentando se disfarçar de discurso sério, enquanto a realidade é que ninguém sabe exatamente o que François, digo, Flávio, pretende com essa salada de pronomes.

E no fim das contas, se este editorial tivesse um resumo em uma frase pronta para o Instagram seria: “Chame todo mundo, mas por favor, deixem a briga lá fora — e tragam todos os votos que vocês conseguirem!” — com ou sem todes. Porque no fundo a única coisa que realmente importa para quem está no jogo eleitoral é quantos validos aparecem na urna, muito mais do que quantos pronomes aparecem num post no X.

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