O discurso de ACM Neto em Macaúbas segue um roteiro já conhecido: indignação seletiva, críticas contundentes e uma memória convenientemente curta.
Por | Moisés Cambuy
Segundo registros da própria agenda, o ex-prefeito afirmou que é “inadmissível” a ausência de hospital de média e alta complexidade e de serviços especializados no interior, destacando que a falta de estrutura prejudica toda a região do Vale do Paramirim . Até aqui, nada de novo — apenas o diagnóstico óbvio de um problema histórico da Bahia.
O que transforma a fala em algo digno de editorial não é o conteúdo, mas o emissor.
ACM Neto, que governou Salvador por oito anos, tenta agora vestir a fantasia de fiscal da saúde pública. A crítica soa forte — mas também profundamente hipócrita. Isso porque, enquanto aponta o dedo para o interior, ignora o próprio legado na capital.
De acordo com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, Salvador não possui sequer uma maternidade municipal — um dado que, por si só, desmonta o discurso moralista do ex-prefeito . Não é um detalhe técnico; é uma ausência gritante na principal cidade do estado.
E não para por aí. O próprio Rui Costa também já afirmou que, durante a gestão de Neto, propostas como a implantação de policlínicas foram rejeitadas pela prefeitura, mesmo com recursos disponíveis . Ou seja: não se trata apenas de herança recebida, mas de decisões tomadas.
Diante disso, a retórica de “o povo baiano merece mais cuidado e respeito” ganha outro peso — o peso da contradição. Criticar a falta de hospitais no interior enquanto não se estruturou adequadamente a capital é, no mínimo, incoerente. No máximo, cinismo político em estado bruto.
No fim das contas, ACM Neto parece apostar na velha lógica: denunciar problemas reais, mas fingir que nunca teve responsabilidade sobre eles. Funciona em palanque. Mas, fora dele, soa exatamente como é — discurso vazio embalado em indignação conveniente.







