Beto Lelis já figurou como protagonista da política baiana e chegou a ocupar espaço no cenário nacional. Foi deputado federal, prefeito de Ibipeba e duas vezes prefeito de Irecê, cidade onde um dia reinou absoluto. À época, construiu uma imagem de liderança carismática e performática, capaz até de levar pessoas a “pagarem mico”, beijando o chão em rituais que ele próprio batizava de “Exercício da Libertação”, símbolo de um poder pessoal quase messiânico.
Filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) em parte dessa trajetória, Beto representou, goste-se ou não, um projeto político com identidade própria. No entanto, causa espanto que alguém com esse histórico decida encerrar sua caminhada pública de maneira tão contraditória, ao se alinhar à extrema direita brasileira, repetindo um roteiro já visto em figuras como Ciro Gomes: a troca do debate político por acenos ao extremismo.
O resultado fala por si. Em Irecê, a cidade onde já foi Rei, Beto Lelis alcançou apenas 481 votos para vereador, tornando-se hoje subalterno e subserviente a uma corrente que representa a maior anomalia da política brasileira contemporânea. Uma queda simbólica e concreta, que marca não apenas o fim de uma carreira, mas a negação de tudo o que um dia ele disse representar.







