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Moral seletiva: o combustível caro e a hipocrisia conveniente de ACM Neto

Crédito: Sora Maia/CORREIO

Por | Moisés Cambuy

ACM Neto resolveu vestir o figurino de indignado com o preço dos combustíveis na Bahia. Aponta o dedo, faz vídeo, cobra explicações — tudo com aquela pose ensaiada de quem acabou de descobrir que a gasolina existe. O problema não é a crítica em si, mas o personagem: um moralista de ocasião que parece sofrer de uma curiosa amnésia política, dessas que apagam convenientemente o passado recente.

Porque, quando a Refinaria Landulpho Alves — hoje chamada de Refinaria de Mataripe — foi vendida em 2021 durante o governo Bolsonaro, o silêncio foi ensurdecedor. A refinaria, uma das mais importantes do país, acabou nas mãos de um fundo estrangeiro por cerca de US$ 1,6 bilhão, valor considerado abaixo do mercado por auditoria da própria Controladoria-Geral da União . E o que fez ACM Neto na época? Nada. Ou melhor: alinhou-se politicamente ao mesmo grupo que conduziu essa venda.

Hoje, com a população sentindo no bolso os efeitos de uma política que atrela preços ao mercado internacional — algo que se intensificou após a privatização —, o ex-prefeito aparece como crítico feroz. Mas a conta não fecha. Segundo críticos e adversários políticos, ele apoiou ou ao menos não se opôs à privatização, e agora tenta culpar terceiros pelo resultado previsível: combustíveis mais caros na Bahia . É o tipo clássico de discurso que beira o cinismo — ou, para ser mais direto, pura hipocrisia.

E fica ainda mais constrangedor quando se observa o alinhamento político atual. ACM Neto critica os efeitos, mas continua orbitando o mesmo campo político que protagonizou a venda da refinaria — incluindo figuras como Flávio Bolsonaro, herdeiro direto do governo que tomou essa decisão. No fim das contas, não é sobre combustível. É sobre conveniência. Porque indignação seletiva, quando aparece só depois do estrago feito, não é coragem — é oportunismo com atraso.

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