Por | Moisés Cambuy
Durante mais de uma década, ACM Neto e seu grupo político fizeram da crítica ao Programa de Gestão Participativa (PGP) uma bandeira permanente. Ironizaram, desqualificaram e tentaram reduzir a importância de um modelo que percorre a Bahia ouvindo a população e transformando demandas em políticas públicas. Agora, diante da força e da legitimidade do projeto, tentam apresentar uma versão improvisada, sem identidade e sem credibilidade. Nas redes sociais e nos bastidores da política, a iniciativa já ganhou um apelido inevitável: o “PGP da Shopee”, uma cópia mal-acabada do original. E o resultado não poderia ser diferente: eventos esvaziados, sem entusiasmo popular e sem a energia que nasce quando existe conexão verdadeira entre liderança e povo.
A diferença é simples de entender. O baiano sabe reconhecer quem fala com convicção e quem apenas repete um roteiro eleitoral. O brilho no olhar não se improvisa. O coração não aprende a bater no ritmo do povo por conveniência política. Enquanto as plenárias do governo mobilizam milhares de pessoas em todas as regiões do estado, a versão oposicionista luta para preencher espaços e gerar engajamento. Falta autenticidade. Falta história. Falta a confiança construída por quem está disposto a ouvir. E quando a população não sente verdade nas palavras de um líder, a resposta aparece naturalmente: o povo simplesmente não comparece.
As contradições ficam ainda mais evidentes quando ACM Neto tenta atacar áreas como saúde e educação. Na saúde, critica o Estado, mas evita explicar por que Salvador, administrada pelo seu grupo político ainda convive com problemas estruturais na atenção básica e com constantes reclamações sobre acesso aos serviços. Documentos citados pela própria Secretaria da Saúde do Estado apontam cobertura insuficiente da atenção básica e vazios assistenciais em diversas regiões da capital.
A situação da primeira maternidade municipal, frequentemente celebrada pela propaganda oficial, também é alvo de críticas de usuários que relatam dificuldades burocráticas e dependência de regulação para acesso em determinados casos. Na educação, embora existam avanços pontuais registrados pelo Ideb, Salvador ainda ocupa posições modestas no cenário nacional, especialmente nos anos finais do ensino fundamental, distante das referências brasileiras de excelência educacional.
E aqui surge uma pergunta inevitável: será que o reflexo desses resultados não está justamente na ausência de participação popular nas decisões da capital? Houve uma verdadeira escuta participativa para ouvir o soteropolitano? Houve um processo amplo e permanente de construção coletiva das políticas públicas? Parece que não. Talvez por isso precisem buscar referências em outros estados e copiar modelos que antes desprezavam. A ironia é que a resposta para muitos dos problemas que apontam está debaixo do próprio nariz. Quem deseja governar a Bahia deveria, antes de tudo, aprender com quem demonstra capacidade de ouvir, planejar e executar. A excelência em gestão não está distante. Basta abandonar a arrogância, baixar a cabeça e enxergar aquilo que o povo da Bahia já percebeu há muito tempo.







