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Quando a política troca propostas pela arrogância EDITORIAL /Opinião de Moisés Cambuy

A declaração de ACM Neto de que mostra exemplos de outros estados para “humilhar Jerônimo” não representa apenas um excesso verbal. Ela revela uma concepção equivocada da política, baseada não no debate de ideias, na apresentação de soluções ou na disputa democrática de projetos, mas na tentativa de constranger e diminuir adversários. Quem pretende governar a Bahia deveria demonstrar capacidade de liderança, equilíbrio e respeito institucional. A palavra “humilhar” não combina com quem deseja ocupar o cargo mais importante do estado. Pelo contrário, remete a uma prática política ultrapassada, marcada pela arrogância e pela soberba.

Nesse contexto, as críticas feitas por Jaques Wagnera e Rui Costa foram precisas ao associar esse tipo de postura a métodos autoritários e ao velho coronelismo político. A democracia pressupõe divergência, confronto de opiniões e fiscalização dos governos, mas jamais a celebração da humilhação como instrumento de ação política. Quando um líder afirma publicamente que seu objetivo é humilhar um adversário, ele não demonstra força; demonstra incapacidade de elevar o debate para o campo das propostas e dos resultados. A Bahia merece mais do que espetáculos de vaidade e frases de efeito destinadas às manchetes.

O mais grave é que essa postura não surge de forma isolada. Nos últimos anos, ACM Neto tem adotado um discurso frequentemente marcado por ataques pessoais e desqualificações de adversários, classificando governos inteiros como fracassos absolutos e buscando reduzir o debate político a uma disputa entre vencedores e derrotados. A crítica é legítima e necessária em qualquer democracia, mas existe uma diferença enorme entre fiscalizar uma gestão e transformar a política em um exercício permanente de menosprezo e hostilidade.

A Bahia enfrenta desafios reais na segurança pública, na saúde, na educação e no desenvolvimento econômico. Nenhum desses problemas será resolvido pela humilhação de quem quer que seja. O estado precisa de lideranças que compreendam que política é servir, dialogar e construir pontes, não alimentar ressentimentos ou cultivar uma imagem de superioridade. Ao escolher a humilhação como discurso, ACM Neto acaba revelando não apenas uma falta de postura institucional, mas também uma preocupante ausência de grandeza política e humana, características indispensáveis para quem pretende governar milhões de baianos.

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