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“Se a CPI do Banco Master for aberta o mundo vira de ponta cabeça “

Foto: Valter Campenato/ Agência Brasil

Por | Moisés Cambuy

Parece até roteiro de novela, mas é a política real sendo escrita na nossa cara: Valdemar da Costa Neto, aquele mesmo presidente do Partido Liberal (PL) que já conseguiu transformar o Centrão num conjunto de “parceiros de aventuras administrativas”, resolveu agora fazer aquilo que toda pessoa normal faz quando a situação começa a feder: admitir o óbvio, com um sorriso de paisagem.

Em entrevista ao programa Canal Livre, valendo-se da sutileza de um caminhão desgovernado, Valdemar confirmou que **um empresário ligado ao **Caso Banco Master — nomeadamente **Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, figura em meio aos escândalos financeiros que explodiram no noticiário — “deu R$ 3 milhões na campanha do Jair Bolsonaro” em 2022, com os valores indo “diretamente na conta do Bolsonaro”. Ele ainda emendou com aquela clássica lembrancinha pra turma: “na conta do partido também entrava dinheiro”.

Sim, querido leitor, você não leu errado: é quase como se o PL, antes tão atento às formalidades da legislação, tivesse aberto alegremente as portas do cofre e dito: “Ô gente, olha só, colocamos uma grana aqui, tudo devidamente registrado, podem conferir!” — como se fosse o troco que alguém encontra no sofá.

E como se isso não fosse motivo suficiente para transformar reuniões de família em headlines de jornal, Valdemar teceu sua habitual poesia política ao falar sobre a possível CPI do Banco Master. Sem nenhum medo de soar dramático — ou de revelar que alguns figurões por ali podem ter motivos reais para ficar preocupados — ele declarou, com a profundidade conspiratória digna de final de temporada: “Se a CPI do Banco Master for aberta, vai virar o mundo de ponta cabeça. A gente nem sabe o que está por vir”.

Traduzindo: se os parlamentares decidirem investigar um escândalo que envolve dinheiro entrando em campanha presidencial, no partido e — quem sabe — nas salamaleques habituais de Brasília, tudo pode desabar. Isso é praticamente o mesmo que admitir que o esquema é tão amplo que as poucas pessoas que não estão envolvidas provavelmente não sabem disso porque foram convidadas a não perceber.

De resto, Valdemar desqualifica a própria narrativa como se fosse algo trivial: “foi apenas uma doação legal”, algo entre comprar pão na padaria e pagar um cafezinho. Porque, vocês sabem, quando um amigo de amigo de um banqueiro depositou milhões na conta da campanha, isso é apenas “legal e transparente”.

No fim das contas, essa confissão pública — meio sem perceber — de dinheiro envolvendo figuras de destaque do bolsonarismo e do PL mostra o quanto a política brasileira está confortável em rir das próprias trapalhadas mais escandalosas. Talvez se a CPI não for aberta, o mundo continue em pé. Ou talvez, como diz Valdemar, ninguém saiba o que pode vir quando as cortinas finalmente caírem.

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