Por | Moisés Cambuy
Quando Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal, declara que está disposto a “dar a vida” para impedir a votação do fim da escala 6×1, não faz um gesto heroico — encena um espetáculo. A retórica inflamada tenta vestir de bravura aquilo que, na essência, é resistência a qualquer avanço nas condições de trabalho do povo brasileiro. Não se trata de sacrifício, mas de cálculo político; não é sobre princípios, é sobre manter estruturas que historicamente esmagam quem vive do próprio esforço.
É curioso ouvir bravatas sobre honra e luta vindas de quem já conheceu a prisão. Valdemar foi condenado e preso no escândalo do mensalão, um dos maiores esquemas de corrupção da história recente do país. Cumpriu pena, voltou à cena política e agora posa de paladino da moralidade econômica. O currículo não recomenda discursos sobre sacrifício pessoal em nome do Brasil. Recomenda, isso sim, prudência — e memória.
Chamar de “inimigos do povo” pode soar forte, mas o que dizer de lideranças que se mobilizam ferozmente para barrar qualquer debate que alivie a exaustão semanal de milhões de trabalhadores? Defender com unhas e dentes a manutenção de uma escala que consome tempo, saúde e convivência familiar não é exatamente um ato de amor à pátria. É a defesa obstinada de um modelo onde poucos lucram mais enquanto muitos descansam menos.
O povo brasileiro precisa estar atento. Discursos inflamados costumam esconder interesses muito concretos. Ao ir às urnas, é fundamental lembrar quem luta por melhores condições de vida e quem promete “dar a vida” apenas para manter tudo como está. Democracia exige memória, senso crítico e responsabilidade. Porque, no fim, quem realmente paga o preço dessas decisões não são os caciques partidários — é o trabalhador comum.







