Opinião |Moisés Cambuy
A passagem de ACM Neto por Guanambi, na noite desta quinta-feira (14), acabou produzindo exatamente o efeito contrário do que sua pré-campanha desejava. As imagens que circularam nas redes sociais revelaram um evento esvaziado, sem entusiasmo popular e distante da demonstração de força que se esperava de um postulante ao Palácio de Ondina. O cenário reforça a percepção de que o ex-prefeito de Salvador encontra enormes dificuldades para transformar discurso em mobilização no interior da Bahia.
O constrangimento se torna ainda maior pelo fato de Guanambi ser reduto político de Artur Maia, um dos principais nomes do União Brasil na Bahia. Nem mesmo com a estrutura de aliados influentes o grupo conseguiu entregar uma agenda minimamente robusta. A tentativa de vender a ideia de liderança consolidada acabou esbarrando numa realidade desconfortável: falta povo, falta empolgação e, sobretudo, falta conexão com o eleitor do interior.
Analistas políticos já apontam que a ausência de capilaridade no interior será o principal calcanhar de Aquiles da pré-campanha de ACM Neto. Sem o apoio consistente de prefeitos e lideranças municipais, o projeto parece caminhar cada vez mais isolado. E o desgaste aumentou após a declaração do próprio ACM Neto de que “prefeitos não representam nada”, frase que caiu como uma bomba entre gestores municipais e ampliou o distanciamento político de quem conhece, de fato, a força das bases no interior baiano.
Diante desse cenário, cresce a avaliação de que a chapa liderada por ACM Neto entra na disputa carregando mais marketing do que musculatura política. O episódio de Guanambi não foi apenas um evento vazio — foi um retrato simbólico de uma pré-campanha que parece perder força antes mesmo de ganhar as ruas. Se o ritmo continuar o mesmo, outubro poderá reservar ao União Brasil não a retomada do poder, mas a confirmação de um projeto fadado ao fracasso nas urnas.







