Opinião de Moisés Cambuy
Na política, é comum que críticas ganhem mais espaço do que realizações. Mas há momentos em que o debate deixa de ser uma disputa de versões e passa a ser um confronto entre narrativas e números. Foi exatamente esse o tom adotado pelo governador Jerônimo Rodrigues ao responder às declarações do prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, aliado de ACM Neto. Diante das acusações de abandono do município, Jerônimo reagiu afirmando que Ilhéus “não pode fingir que R$ 1,2 bilhão não existe”, em referência ao volume de investimentos estaduais destinados à cidade e à região ao longo dos últimos anos.
A resposta do governador carrega um recado que vai além da divergência política. Ao citar obras estruturantes, intervenções em mobilidade, saúde, segurança, contenção de encostas e a BA-649, Jerônimo buscou deslocar o debate do campo da retórica para o da execução administrativa. Em sua avaliação, reduzir a presença do Estado a “ambulâncias e viaturas”, como havia feito o prefeito, ignora um conjunto de investimentos públicos que, segundo o governo, ultrapassa a casa do bilhão de reais e alcança diferentes áreas estratégicas para o desenvolvimento de Ilhéus.
Em democracias maduras, a oposição cumpre um papel indispensável ao fiscalizar governos. Contudo, esse papel perde força quando desconsidera fatos verificáveis. Obras podem atrasar, programas podem ser questionados e prioridades podem ser debatidas. O que não fortalece o debate público é ignorar investimentos oficialmente anunciados e executados apenas porque foram realizados por um adversário político. A população espera divergências, mas também espera honestidade intelectual para reconhecer aquilo que efetivamente foi entregue.
No fim das contas, governos serão julgados pelas urnas, mas também pela memória coletiva. Discursos inflamados costumam ocupar manchetes por algumas horas; pontes, rodovias, hospitais e investimentos permanecem por décadas. Quando o embate político encontra os números, cabe ao cidadão avaliar quem apresenta argumentos sustentados por evidências e quem aposta apenas na força da narrativa. Afinal, bilhão investido pode ser discutido, fiscalizado e cobrado — mas dificilmente pode ser tratado como se nunca tivesse existido.







