Sob o comando do governador Jerônimo Rodrigues, a Bahia transformou a inteligência num dos principais eixos do combate ao crime organizado. A prioridade deixou de ser apenas apreender armas e drogas e passou também por atingir o dinheiro que sustenta as facções. Os resultados mostram uma trajetória contínua de redução das mortes violentas: 6% em 2023, 8,7% em 2024, 13,1% em 2025 e 20,5% entre janeiro e julho de 2026.
Desde 2023, as forças de segurança realizaram 1.400 operações, efetuaram 98 mil prisões e apreenderam 24 mil armas, entre elas 321 fuzis, além de retirar 53 toneladas de drogas de circulação. O reconhecimento facial auxiliou 6.034 prisões e o sistema de leitura de placas permitiu recuperar 1.442 veículos. No mesmo período, a Bahia investiu R$ 1,5 bilhão na segurança, incorporou 11 mil novos profissionais e entregou 303 unidades, 5.265 viaturas, drones e novos equipamentos. Entre janeiro e julho deste ano, roubos e furtos de veículos caíram 23,9% e os crimes contra ônibus recuaram 65,3%.

Parte dessa estratégia ganhou força com a integração entre o Governo da Bahia e o Governo do Brasil. A FICCO Bahia reúne Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Secretaria da Segurança Pública da Bahia e a Secretaria Nacional de Políticas Penais. Em julho, uma ação conjunta em Feira de Santana cumpriu 31 mandados de prisão contra integrantes de organizações criminosas que atuavam dentro e fora do sistema prisional. Até junho, segundo a SSP, a força integrada havia capturado 406 foragidos e bloqueado R$ 102 milhões ligados a facções.

A sintonia entre Lula e Jerônimo tende a ampliar esse modelo. Em maio, o Governo do Brasil lançou o Brasil Contra o Crime Organizado, programa nacional estruturado exatamente sobre quatro frentes que já aparecem na estratégia baiana: asfixia financeira das facções, fortalecimento da segurança nos presídios, qualificação da investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas. O programa prevê R$ 11,1 bilhões em investimentos; só o Coaf recebeu R$ 30 milhões para ampliar tecnologia e inteligência financeira contra lavagem de dinheiro.
Outra frente é a PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo Lula ao Congresso e já aprovada pela Câmara. O texto chegou ao Senado propondo colocar o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e estabelecer como regra a atuação conjunta entre União, estados e municípios, com forças-tarefa, sistemas interoperáveis, compartilhamento de informações e intercâmbio de provas. A proposta também atribui à União as normas gerais da atividade de inteligência e cria novas fontes permanentes de financiamento para a segurança e o sistema penitenciário. Em março, Lula também sancionou o novo Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, que endureceu o tratamento de organizações criminosas ultraviolentas e alcança inclusive financiamento, patrimônio e estruturas econômicas utilizadas por esses grupos.
Na Bahia, essa política tem uma linha de continuidade. Jaques Wagner avançou na integração das forças e nas estruturas de comando e comunicação. Rui Costa expandiu o reconhecimento facial, a leitura de placas e o videomonitoramento inteligente. Jerônimo aprofundou o modelo com investigação financeira, inteligência penitenciária e integração de bases de dados, agora num ambiente de cooperação crescente com o governo Lula. O gabinete oficial do governador funciona no próprio Centro de Operações e Inteligência da SSP, o COI, de onde ele também comandou mudanças na cúpula e a reestruturação das forças.
Na prática, antes da operação chegar às ruas há cruzamento de dados, análise de celulares e computadores, interceptações autorizadas pela Justiça e investigação patrimonial. Em 2025, a SSP formalizou o Programa de Integração e Inteligência em Segurança Pública, o PIISP, para ampliar essa capacidade. A investigação deixa de procurar apenas quem executa o crime e tenta chegar a quem manda, quem financia, quem fornece armas e onde o dinheiro é movimentado.
É essa lógica que aparece em operações como a Primus, que partiu do setor de combustíveis e resultou em 74 medidas judiciais, dez prisões e mais de R$ 6,5 bilhões em bens bloqueados. A Falsas Promessas começou com rifas ilegais e chegou a uma estrutura que movimentou cerca de R$ 500 milhões. A Skywalker atacou uma rota interestadual de armas e a Fogo Amigo mirou policiais, empresários e CACs investigados por abastecer facções. Dentro dos presídios, Premium Mandatum e Sintonia de Gravata usaram análise de celulares, investigação financeira e inteligência para atingir operadores das organizações e interromper a comunicação entre chefes presos e integrantes nas ruas.







