Por: Moisés Cambuy
Antes do primeiro tapa, existe a primeira palavra, o primeiro exemplo e a primeira lição. Foi exatamente nesse ponto que Jerônimo Rodrigues buscou colocar o debate ao defender que o enfrentamento à violência contra a mulher comece na formação das crianças, com ações nas escolas e no projeto Oxe, Me Respeite, além da capacitação de professores e da ampliação da estrutura de políticas para mulheres nos municípios. A proposta dialoga com um programa já desenvolvido pelo governo baiano, voltado à conscientização sobre desigualdade de gênero no ambiente escolar.
Enquanto isso, o debate revelou uma diferença de enfoque entre os candidatos. Ronaldo Mansur também apostou na prevenção ao relacionar a violência à cultura machista e defendeu a ampliação das delegacias especializadas e do atendimento às vítimas. Já ACM Neto preferiu concentrar seu discurso nas consequências da agressão: auxílio financeiro, monitoramento eletrônico, punição e delegacias funcionando 24 horas. Medidas importantes, sem dúvida. Mas, quando a discussão chega às causas da violência, o silêncio sobre educação preventiva chama atenção.
É curioso que, diante de um problema que nasce muitas vezes dentro de casa, na forma como meninos aprendem a enxergar meninas e mulheres, a resposta de alguns ainda seja esperar que o crime aconteça para então agir. É como apresentar mais ambulâncias para resolver acidentes provocados por uma ponte quebrada, sem jamais cogitar consertar a estrutura. Combater os efeitos sem enfrentar as causas dificilmente muda uma realidade que se repete geração após geração.
O debate deixou evidente duas visões distintas sobre segurança para as mulheres: uma que aposta em interromper o ciclo da violência antes que ele comece e outra que concentra esforços na resposta do Estado depois da agressão. O eleitor poderá avaliar qual caminho considera mais eficaz, mas uma pergunta permanece inevitável: se ninguém educa para o respeito, quem continuará alimentando a cultura que transforma tantas mulheres em vítimas?







