Por | Moisés Cambuy
A política baiana segue produzindo capítulos dignos de novela. Desta vez, quem entrou em cena foi o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao afirmar que ACM Neto acabará apoiando Flávio Bolsonaro na disputa presidencial ao longo da caminhada eleitoral. A declaração caiu como uma bomba no tabuleiro político, principalmente porque ACM Neto tem adotado uma postura cuidadosa, quase cirúrgica, quando o assunto é se aproximar publicamente do bolsonarismo.
O curioso é que, enquanto aliados de Bolsonaro parecem tratar o apoio como algo praticamente certo, ACM Neto continua cultivando o silêncio estratégico. Afinal, nada mais conveniente do que deixar cada eleitor acreditar na versão que mais lhe agrada. Para os bolsonaristas, ele estaria a caminho do palanque de Flávio. Para os moderados, seria apenas especulação. E assim a ambiguidade segue rendendo dividendos políticos.
A fala de Valdemar levanta uma questão inevitável: se o apoio é tão certo assim, por que ele ainda não foi anunciado? Talvez porque assumir posições claras tenha seus custos. Em um estado onde o eleitorado é diverso e dividido, a matemática política recomenda cautela. Melhor caminhar sobre ovos do que correr o risco de perder votos por excesso de sinceridade.
No fim das contas, a declaração do dirigente do PL parece ter antecipado um capítulo que ACM Neto talvez preferisse manter em segredo por mais algum tempo. Resta saber se o ex-prefeito confirmará a previsão de Valdemar ou se continuará praticando o esporte favorito de muitos políticos brasileiros: dizer pouco, sugerir muito e deixar que cada grupo escute exatamente o que deseja ouvir.







