Por: Moisés Cambuy
A relação financeira de ACM Neto com o grupo Banco Master ganhou novos contornos a partir de informações divulgadas pela imprensa. Segundo reportagem da coluna de Natália Portinari, no UOL, uma proposta de delação apresentada à Procuradoria-Geral da República pelo ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teria detalhado investimentos ligados ao fundo exclusivo Seattle 95, de propriedade de Neto. O caso chama atenção porque, além dos R$ 3,6 milhões que, segundo documentos citados na reportagem, sua empresa teria recebido do Master e da Reag por serviços de consultoria, surgem agora informações sobre aplicações em produtos relacionados ao banco.
Ainda de acordo com as informações divulgadas, o fundo teria destinado aproximadamente R$ 4,8 milhões ao Structure, produto lastreado em operações de crédito consignado originadas pelo Banco Master. Os dados citados apontam que o investimento teria alcançado valorização de cerca de R$ 4 milhões. Isoladamente, rentabilidade elevada não significa irregularidade, e investimentos concentrados em determinados ativos podem fazer parte de estratégias perfeitamente legais. O que desperta questionamentos, porém, é o grau de concentração apontado pela reportagem e a proximidade financeira entre o investidor, a administradora do fundo e o próprio grupo Master.
O episódio também ganha relevância pelo contexto que envolve as empresas mencionadas. A Reag Investimentos foi posteriormente liquidada pelo Banco Central, enquanto o Banco Master também passou por intervenção e liquidação. Investigações e operações policiais envolvendo integrantes e negócios relacionados aos grupos citados aumentam naturalmente o interesse público sobre operações realizadas antes dessas medidas. Isso, entretanto, não permite concluir, por si só, que qualquer investidor tenha participado de irregularidades. Cabe às autoridades competentes esclarecer a origem, a natureza e a regularidade de cada operação.
Politicamente, o assunto merece atenção porque ACM Neto é novamente candidato ao governo da Bahia e apresenta patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral significativamente superior ao informado em 2022. A questão central, portanto, não deve ser transformar suspeitas ou informações de delação em condenações antecipadas, mas exigir transparência. Se as operações foram legais e realizadas dentro das regras de mercado, é importante que isso seja demonstrado documentalmente. Em uma disputa eleitoral, relações financeiras dessa dimensão, sobretudo quando envolvem instituições posteriormente investigadas ou liquidadas, não podem ser tratadas apenas como detalhes contábeis: são fatos de interesse público que precisam de esclarecimento, contraditório e apuração pelos órgãos responsáveis.







