(Moisés Cambuy)
A decisão de ACM Neto de não participar da Bahia Farm Show na mesma data da visita do senador Flávio Bolsonaro a Luís Eduardo Magalhães revela muito mais do que uma simples questão de agenda. O gesto evidencia uma estratégia política cuidadosamente calculada para preservar sua identidade eleitoral e evitar uma associação direta com o núcleo mais forte do bolsonarismo nacional. Em um cenário político cada vez mais polarizado, cada movimento público carrega significados que vão além da aparência.
Ao optar por comparecer ao evento em outro momento, ACM Neto demonstra compreender que a política moderna exige equilíbrio entre convicção e pragmatismo. Embora busque manter diálogo com setores conservadores do eleitorado, o ex-prefeito de Salvador parece reconhecer que uma vinculação explícita ao projeto liderado por Flávio Bolsonaro poderia limitar sua capacidade de dialogar com segmentos mais amplos da sociedade baiana. Trata-se de uma tentativa de construir uma candidatura competitiva sem se tornar refém de uma única corrente política.
Enquanto isso, João Roma assume o papel de principal representante do bolsonarismo na Bahia, recebendo Flávio Bolsonaro e fortalecendo sua posição junto ao eleitorado mais identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A presença conjunta dos dois líderes na feira reforça a existência de caminhos distintos dentro do campo conservador baiano: um mais diretamente alinhado ao bolsonarismo nacional e outro que busca maior autonomia política para ampliar sua base de apoio.
O episódio deixa claro que a disputa eleitoral futura não será apenas entre governo e oposição, mas também entre diferentes projetos de liderança dentro da própria direita. ACM Neto aposta na independência estratégica; João Roma, na fidelidade ao bolsonarismo. Caberá aos eleitores decidir qual dessas posturas melhor representa os interesses da Bahia e qual delas possui maior capacidade de transformar apoio político em resultados concretos para o estado.







