Foto: Divulgação PSD
Opinião | Moisés Cambuy
A declaração de ACM Neto de que o palanque na Bahia para Ronaldo Caiado está “100% fechado” soa menos como demonstração de força e mais como um movimento arriscado no tabuleiro político. Em um cenário marcado por polarização e lealdades bem definidas, decisões desse tipo tendem a provocar ruídos — especialmente quando envolvem eleitorados que não caminham automaticamente juntos.
O principal ponto de tensão está no eleitorado alinhado a figuras como Flávio Bolsonaro, que mantém uma base fiel e sensível a alianças consideradas distantes de suas referências políticas. Ao se posicionar de forma tão categórica ao lado de Caiado, ACM Neto pode enfrentar resistência desse grupo, que pode enxergar a articulação como desalinhada com suas expectativas ou interesses ideológicos.
Além disso, a política baiana tem suas próprias dinâmicas e não responde de forma automática a acordos firmados nos bastidores. A tentativa de unificar palanques pode acabar revelando fissuras, em vez de consolidar apoios. Eleitores mais engajados tendem a reagir quando percebem incoerências ou mudanças estratégicas que não foram claramente justificadas.
Diante desse cenário, ACM Neto pode descobrir que “100% fechado” está longe de significar “100% garantido” nas urnas. Ignorar a sensibilidade de parte do eleitorado pode custar caro, especialmente em um ambiente onde a fidelidade política é cada vez mais volátil. Se não houver um esforço consistente de comunicação e alinhamento, a aliança pode se transformar em um fator de desgaste — e não de fortalecimento.







