(Moisés Cambuy)
Enquanto milhões de trabalhadores brasileiros lutam por mais dignidade, descanso e qualidade de vida, o senador baiano Ângelo Coronel decidiu assinar uma proposta articulada por um senador do PL para se contrapor ao fim da escala 6×1. A medida, chamada de “PEC do horário flexível”, abre espaço para contratos ainda mais frágeis, onde o trabalhador pode acabar recebendo apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. O eleitor baiano precisa refletir: quem vive a realidade do comércio, dos supermercados, da limpeza, da segurança privada e dos serviços sabe o peso brutal de trabalhar seis dias para descansar apenas um.
O mais grave é perceber a contradição no discurso. Em diferentes momentos, Coronel afirmou ser favorável à redução da jornada de trabalho, mas ao mesmo tempo defendeu modelos inspirados na flexibilização extrema das relações trabalhistas e assinou uma proposta vista como oposição direta ao fim da escala 6×1. Para muitos trabalhadores, isso soa como um jogo político calculado: dizer uma coisa em entrevistas e apoiar outra nos bastidores de Brasília.
A Bahia é um dos estados com maior número de trabalhadores em atividades exaustivas e mal remuneradas. São homens e mulheres que passam horas em ônibus lotados, recebem salários apertados e ainda convivem com pouco tempo para a família, estudo e descanso. Defender a permanência de modelos que priorizam apenas a produtividade e o lucro é ignorar a realidade do povo baiano. O debate sobre a escala 6×1 não é apenas econômico; é humano, social e moral.
O eleitor precisa observar não apenas discursos emocionados em época de eleição, mas atitudes concretas no Senado. Assinar um texto de oposição ao fim da escala 6×1 é um posicionamento político claro. E toda decisão política revela prioridades. Em 2026, caberá ao povo da Bahia decidir se quer representantes comprometidos com a qualidade de vida do trabalhador ou parlamentares que seguem defendendo interesses que mantêm milhões presos a uma rotina de exaustão e sobrevivência.







