Com as chapas praticamente definidas, a eleição para o governo da Bahia em 2026 deixa de ser um jogo de suposições e passa a expor, com nitidez, dois projetos políticos distintos. De um lado, o governador Jerônimo Rodrigues busca a reeleição ancorado na continuidade de um ciclo iniciado em 2007 sob a liderança do PT no estado . Ao manter Geraldo Júnior como vice e articular uma chapa ao Senado com figuras centrais da política baiana, o grupo governista sinaliza estabilidade e preservação de sua base histórica de poder.
Essa estratégia não é casual. A manutenção do MDB na vice, representado por Geraldo Júnior, revela o peso das engrenagens partidárias na sustentação do governo. Trata-se de uma escolha menos simbólica e mais estrutural: garantir a coesão de uma aliança ampla, que atravessa diferentes espectros políticos e tem sido determinante para a longevidade do grupo no comando do estado. Nesse sentido, a chapa governista parece apostar mais na força da continuidade institucional do que em movimentos de renovação.
Do outro lado, a oposição liderada por ACM Neto apresenta uma composição que busca equilibrar experiência administrativa e reposicionamento político. A escolha do prefeito de Jequié, Zé Cocá, como vice, e a presença de João Roma e Angelo Coronel na disputa ao Senado indicam uma tentativa de ampliar o arco de alianças e dialogar com diferentes segmentos do eleitorado . Especialmente significativa é a presença de Coronel, ex-integrante da base governista, evidenciando que o embate eleitoral também se dá no terreno das dissidências e rearranjos.
O que se desenha, portanto, não é apenas uma disputa entre nomes, mas entre duas arquiteturas políticas bem consolidadas. De um lado, a máquina governista, apoiada em uma trajetória contínua e em alianças sedimentadas; de outro, uma oposição que tenta se reinventar agregando novos atores e capitalizando insatisfações. Mais do que escolher um governador, o eleitor baiano será chamado a decidir entre a permanência de um modelo já testado ou a aposta em uma reconfiguração do poder.







