Editorial | Portal Moisés Cambuy
O primeiro debate pelo Governo da Bahia, promovido pela Band, mostrou que, na política, um gesto pode dizer mais do que um discurso inteiro. Enquanto Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL) ergueram o tradicional “L” em referência ao presidente Lula, ACM Neto preferiu ficar apenas com um sorriso. Bastaram alguns segundos para que as redes sociais fizessem o resto: memes, montagens e comentários ironizando a cena passaram a circular, explorando a imagem de um candidato que parecia não saber exatamente qual posição ocupar naquele momento.
Se a intenção era escapar da polarização, o efeito foi justamente o contrário. A ausência de um gesto virou o principal gesto da noite. Nas redes, multiplicaram-se publicações com frases como “que inveja, eu também queria fazer o L”, numa crítica bem-humorada à dificuldade de ACM Neto em dialogar com um eleitorado baiano onde Lula mantém forte influência política. Em política, às vezes o silêncio faz mais barulho do que qualquer resposta — e foi exatamente isso que muitos comentaristas destacaram após o debate.
Nos blocos dedicados à segurança pública e ao enfrentamento da violência contra a mulher, Jerônimo defendeu políticas preventivas desde a infância, enquanto Ronaldo Mansur cobrou o funcionamento ininterrupto das delegacias especializadas. ACM Neto apresentou propostas voltadas ao endurecimento das punições e ao auxílio às vítimas, mas acabou sendo confrontado por Mansur, que voltou a associá-lo ao bolsonarismo. O embate reforçou uma das principais linhas de confronto da campanha: de um lado, candidatos buscando vincular suas candidaturas ao legado de Lula; do outro, ACM Neto tentando administrar as críticas sobre sua relação com setores da direita.
Ao fim da noite, mais do que propostas, foram as imagens e a batalha nas redes sociais que dominaram o pós-debate. A política contemporânea costuma ser implacável: quem não controla a narrativa frequentemente vira personagem dela. E, desta vez, a enxurrada de memes e ironias colocou ACM Neto no centro das brincadeiras, enquanto seus adversários comemoravam o espaço conquistado no debate digital. No palco da televisão, todos tiveram tempo para falar; na internet, porém, quem acabou “falando” mais foram os memes.







