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Do “Abacaxi” ao VLT: A Oposição que Duvidou, o Governo que Entregou

Por | Moisés Cambuy

Durante a inauguração do primeiro trecho do VLT de Salvador, ligando a Calçada ao Lobato, o ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa, fez questão de resgatar uma memória que muita gente da oposição prefere manter escondida em alguma gaveta empoeirada da política baiana. Rui relembrou que, entre 2011 e 2012, diante do impasse que travava o metrô de Salvador, o então governador Jaques Wagner decidiu assumir a responsabilidade pela conclusão da obra, já que a gestão municipal da época demonstrava não ter capacidade nem lastro para conduzir um projeto daquela dimensão.

Mas a transferência não veio sem condições. Segundo Rui, a prefeitura só aceitaria entregar o metrô ao Governo do Estado se este também assumisse o antigo trem do subúrbio, um sistema sucateado e tratado por muitos como um verdadeiro “abacaxi”. A aposta parecia simples: empurrar para o Estado um problema gigantesco, caro e complexo, acreditando talvez que ele se transformaria em mais um passivo político. O que não contavam era que o desafio seria encarado de frente.

Jaques Wagner aceitou a missão. O metrô foi concluído, ampliado e transformado em uma das principais referências de mobilidade urbana do país. Já o chamado “abacaxi” começou a ser descascado com planejamento e investimento. O velho trem suburbano, durante décadas abandonado e símbolo do descaso histórico com uma das regiões mais populosas da capital, passou a dar lugar a um projeto moderno, capaz de mudar a realidade da população que depende diariamente do transporte público.

E foi justamente esse ciclo que ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (17), quando o governador Jerônimo Rodrigues entregou a primeira etapa do VLT de Salvador. A cena tem um sabor especialmente incômodo para os críticos de plantão: aquilo que um dia foi apresentado como problema virou solução; o que era apontado como fardo virou obra concreta; e o que muitos consideravam inviável começou a circular sobre trilhos. No fim das contas, o “abacaxi” deu fruto. E, para desespero da oposição, a população já começou a colher.

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