A fala de Rui Costa de que a oposição quer “entregar as riquezas do Brasil” a outro país pode incomodar, mas não deveria ser descartada como mera retórica eleitoral. Ela toca em uma questão que precisa ser encarada pelo eleitor com absoluta seriedade: quem vai decidir o destino das riquezas estratégicas brasileiras? O debate ganhou força depois que Flávio Bolsonaro passou a defender, nos Estados Unidos, a importância das terras raras brasileiras para atender aos interesses norte-americanos. E não estamos falando de qualquer recurso. O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras, minerais fundamentais para tecnologias avançadas, indústria, energia e equipamentos militares.
É justamente aí que o alerta de Rui Costa ganha dimensão política. Não se trata de dizer que toda parceria internacional é ruim ou que o Brasil deve fechar suas portas ao mundo. O problema é ser parceiro ou ser fornecedor subordinado. Uma coisa é o Brasil negociar de igual para igual, atraindo investimentos, transferindo tecnologia, industrializando seus recursos e gerando empregos. Outra, completamente diferente, é colocar nossas riquezas estratégicas a serviço das necessidades de uma potência estrangeira enquanto o país permanece exportando matéria-prima e importando produtos de alto valor agregado. Se as terras raras brasileiras são tão importantes para os Estados Unidos, por que o Brasil deveria abrir mão da oportunidade de utilizá-las para construir sua própria indústria e soberania tecnológica?
A história brasileira já mostrou o preço da dependência. Durante décadas, o país exportou riquezas naturais e commodities enquanto outros países lucravam muito mais com a tecnologia produzida a partir delas. O que está em jogo agora é não repetir esse modelo justamente no momento em que o mundo disputa minerais estratégicos. O próprio governo Lula colocou soberania no centro do discurso de 7 de Setembro e defendeu que petróleo, terras raras e outros recursos naturais sejam transformados em desenvolvimento brasileiro, e não em instrumento de dependência.
Por isso, o eleitor precisa olhar para esta eleição para além da guerra ideológica de todos os dias. Não estamos escolhendo apenas um presidente; estamos escolhendo qual projeto de Brasil terá força para decidir o que fazer com aquilo que pertence ao Brasil. O país pode se tornar protagonista de uma nova economia mundial, usando suas riquezas para financiar ciência, tecnologia, indústria, empregos e melhores condições de vida para seu povo. Ou pode aceitar o papel de grande fornecedor de recursos para quem controla a tecnologia e o dinheiro. É nesse ponto que a advertência de Rui Costa precisa ser ouvida: soberania não é discurso de palanque; é a capacidade de dizer “não” quando os interesses de fora entram em conflito com os interesses do povo brasileiro. E, diante do que está acontecendo, talvez nunca tenha sido tão importante perguntar: quem vai governar o Brasil — os brasileiros ou os interesses estrangeiros?







