Por: Moisés Cambuy
Na política, há quem diga que vale tudo para conquistar votos. Pelo visto, para ACM Neto, até transformar o corpo feminino em chamariz eleitoral pode entrar no roteiro de campanha. Mulheres nuas ou com seus corpos ostensivamente expostos foram usadas como recurso para atrair olhares e gerar repercussão. É uma estratégia tão antiga quanto previsível: primeiro, explora-se a imagem da mulher para ganhar atenção; depois, segue-se o roteiro como se nada tivesse acontecido.
Mas eis que, depois do espetáculo eleitoral, veio a oração. E fica difícil não perguntar, com uma pitada de sarcasmo: será que bateu aquela famosa consciência pesada? Porque é curioso ver a política flertar com a objetificação feminina durante a campanha e, logo depois, buscar refúgio na fé. Talvez tenha faltado combinar a estratégia de marketing com a coerência entre discurso, prática e respeito às mulheres.
A ironia fica ainda maior quando lembramos que a violência contra a mulher não é cenário de campanha, nem assunto para ser lembrado apenas em discursos convenientes. Todos os dias, mulheres são vítimas de assédio, abuso, violência física, psicológica e feminicídio. Nesse contexto, utilizar o corpo feminino como ferramenta para chamar atenção política pode até render cliques e comentários, mas também revela uma visão preocupante sobre o papel da mulher na sociedade.
No fim, fica uma cena quase cinematográfica: primeiro, o corpo feminino como estratégia para conquistar o eleitor; depois, mãos juntas e olhos fechados diante de Deus. Talvez a oração seja justamente o momento de pedir sabedoria — ou, quem sabe, coerência. Porque campanha passa, propaganda acaba e o palanque desmonta. O que permanece é a pergunta incômoda: até onde alguém está disposto a ir para conseguir um voto?







