(Moisés Cambuy)
A antecipação da visita de Flávio Bolsonaro à Bahia está longe de ser apenas uma agenda protocolar de pré-campanha. Nos bastidores, o movimento é interpretado como uma estratégia para ampliar a presença do senador no Nordeste e, ao mesmo tempo, colocar ACM Neto diante de uma decisão que ele vem evitando tomar publicamente: declarar ou não apoio ao projeto presidencial bolsonarista. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a passagem pela Bahia foi priorizada justamente por conta da importância política do estado e do peso eleitoral que ACM Neto possui no cenário oposicionista baiano.
O gesto revela uma realidade que muitos preferem ignorar. Embora conte com apoio de setores ligados ao PL na Bahia, ACM Neto tem buscado manter uma posição de cautela em relação à disputa nacional, observando também os movimentos de outras lideranças do campo de centro-direita. No entanto, a chegada de Flávio Bolsonaro dificulta essa estratégia. Ao desembarcar no estado ao lado de aliados como João Roma, o senador transforma sua visita em um teste político para a oposição baiana e para o próprio Neto.
A situação é delicada porque a indefinição pode gerar desgastes em diferentes frentes. De um lado, a base bolsonarista espera reciprocidade pelo apoio oferecido ao ex-prefeito de Salvador em eleições anteriores. Do outro, ACM Neto sabe que uma vinculação explícita a um projeto nacional pode influenciar sua capacidade de dialogar com setores mais amplos do eleitorado baiano. O cálculo político é complexo, mas o tempo para permanecer em cima do muro parece cada vez menor.
A verdade é que a visita de Flávio Bolsonaro transcende uma simples agenda partidária. Ela funciona como um recado político e uma cobrança pública. Ao escolher a Bahia como prioridade, o senador sinaliza que considera o palanque baiano estratégico para suas pretensões nacionais. E, ao mesmo tempo, coloca ACM Neto diante de uma pergunta inevitável: em 2026, estará ao lado do bolsonarismo ou buscará um caminho próprio? Quanto mais a eleição se aproxima, mais difícil será adiar essa resposta.







